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rodrigo belavista
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A felicidade numa fatia de fiambre.

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Outros

2011-12-28 19:32:15
comentários (30) galardões descrição exif favorita de (30)
descrição
Pão, manteiga e fiambre. A torradeira queimada, fios à mostra e o passar dos olhos pela televisão. Acontecem sempre as mesmas notícias, o tapete miserável que é não ganhar para não ter, o correr para apanhar aquele autocarro quase podre, a distância de um trabalho que faz levar para casa o dinheiro para o pão.
A manteiga e o fiambre enrolam-se na boca a dar sabor às migalhas que não podem cair, o susto na correspondência diária, aquela torneira que pinga e chama o conserto, a panela a fumegar com uma mão cheia de pouco concreto.
Chamas o pai, gritas aos filhos, mesa posta nos talheres gastos, pratos falhados e os copos a pedirem outro vidro. Enquanto aguardas a presença, pousas o avental, pensas na vida. Que está mal distribuída, atiras para os azulejos rachados.
Vinte mil dias de suor vezes as vezes em que não dormes devido ao medo. O medo de não teres com que pagar outra mesa destas, outros pratos falhados, outros talheres gastos, outra panela vencida. Apetece-te tudo, na excepção do nada te ter doído. E eles chegam e sentam-se, gota após outra, as pessoas da tua vida.
É sexta-feira, dia cansado. É sexta-feira e amanhã tens que ir à praça tentar o bacalhau da altura das tuas moedas, abraçar a manhã para conseguir a excelência da noite, consoada que é, um bocado à mesa no esquecimento dos que virão. O dia de amanhã é sábado concebido. E nele vais ter a alegria do bater dos talheres, o azeite guardado a escorrer por cima da altura do que compraste, a satisfação de seres - também - a parte que é a arte de abraçar os teus, sem a lamúria, o que te preocupa, as cartas cobradas e etecétera e tal.
Amanhã és feliz sentada a uma mesa composta, a fumegar.
E sorris, quando vês sorrir os dentes dos teus. Boca aberta e o esquecer das questões, moedas tostões, saber que nas festas consegues unir, dar calor nas nódoas da toalha de mesa e ser, ali, feliz. Natal.
exif / informação técnica
Máquina: Canon
Modelo: Canon EOS 450D
Exposição: 1/80
Abertura: f/7.1
ISO: 200
MeteringMode: Pattern
Flash: Não
Dist.Focal: 40 mm

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A felicidade numa fatia de fiambre.
Pão, manteiga e fiambre. A torradeira queimada, fios à mostra e o passar dos olhos pela televisão. Acontecem sempre as mesmas notícias, o tapete miserável que é não ganhar para não ter, o correr para apanhar aquele autocarro quase podre, a distância de um trabalho que faz levar para casa o dinheiro para o pão.
A manteiga e o fiambre enrolam-se na boca a dar sabor às migalhas que não podem cair, o susto na correspondência diária, aquela torneira que pinga e chama o conserto, a panela a fumegar com uma mão cheia de pouco concreto.
Chamas o pai, gritas aos filhos, mesa posta nos talheres gastos, pratos falhados e os copos a pedirem outro vidro. Enquanto aguardas a presença, pousas o avental, pensas na vida. Que está mal distribuída, atiras para os azulejos rachados.
Vinte mil dias de suor vezes as vezes em que não dormes devido ao medo. O medo de não teres com que pagar outra mesa destas, outros pratos falhados, outros talheres gastos, outra panela vencida. Apetece-te tudo, na excepção do nada te ter doído. E eles chegam e sentam-se, gota após outra, as pessoas da tua vida.
É sexta-feira, dia cansado. É sexta-feira e amanhã tens que ir à praça tentar o bacalhau da altura das tuas moedas, abraçar a manhã para conseguir a excelência da noite, consoada que é, um bocado à mesa no esquecimento dos que virão. O dia de amanhã é sábado concebido. E nele vais ter a alegria do bater dos talheres, o azeite guardado a escorrer por cima da altura do que compraste, a satisfação de seres - também - a parte que é a arte de abraçar os teus, sem a lamúria, o que te preocupa, as cartas cobradas e etecétera e tal.
Amanhã és feliz sentada a uma mesa composta, a fumegar.
E sorris, quando vês sorrir os dentes dos teus. Boca aberta e o esquecer das questões, moedas tostões, saber que nas festas consegues unir, dar calor nas nódoas da toalha de mesa e ser, ali, feliz. Natal.
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Máquina: Canon
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Exposição: 1/80
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