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As mil maneiras de segurar um Sol.

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Outros

2011-10-25 18:48:05
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descrição
As mil maneiras de segurar um Sol.

Amanhã vais perguntar-lhe o que não sabes.
Amanhã vais perguntar-lhe porque se nasce, de morte anunciada, porque comemos o que não temos, porque nos encontrámos ou desaparecemos, vais querer saber o sabor dos telhados das casas de pão-de-ló, vais querer lamber feridas que não se mostram, também procurar o que não existe.
Amanhã vais empurra-lo num caminho sem sentido, questionar a razão de todo e qualquer pedido, soltar gritos de espanto perante um pranto envelhecido, vais querer navegar onde a água é uma miragem, sobrevoar toda a superfície de um prado de argila, mergulhar a pés juntos num doce de gila e queimar um incenso sem cheiro ou outras lamparinas tão cheias de vazio.
Amanhã vais embalá-lo sem braços, adormecê-lo em sonhos sem nicotina, acordá-lo com o silêncio da tua ausência. Amanhã vais patrocinar uma trovoada, só para mostrares o tamanho dos teus dedos, vais desvendar o que nunca foi segredo e esconder o que jamais passou da novidade, vais tricotar um colete de medos, chamar-lhe nomes complicados, salteá-lo em lume brando e provar, colher de osso na mão e olhar azedo.
Amanhã vais querer um Sol só para ti. Vais perguntar-lhe o que sabe da caça ao mesmo, insistir e vergá-lo na força da conquista, vais ainda sorrir sem o querer, oferecer enfeitados presentes, dedicar bafientas canções. Na ameaça de lhe sorveres o conteúdo dos olhos, ameaças a pergunta e vais querer saber as mil maneiras de segurar um Sol.
Amanhã vais fazer de tudo para ele se tornar cedo, entrecosto da tarde e meio-irmão do nada.
Amanhã, quando ele se tornar presa de dez sujos lençóis, passo amarrado a um piso abismo, vais perguntar uma última vez. A voz ameaça a queda, a queda anuncia a morte, a morte anunciada, para a qual se nasce, na tua primeira pergunta formulada. E, de novo, faltará o sentido.
Antes que o amanhã acorde rabugento, responder-te-á, na esquina do medo, que o Sol não é o que te gravaram na definição, o Sol podem ser elas, eles, outros, aqueles. Pode até ser aquele pé de feijão, que cresceu para dar sombra aos três dedos do pé direito, pode ser um sorriso, uma corrida, um olá, um banco de madeira estragada onde haja espaço para duas mãos. E mais te dirá, antes que de cedo se comece a chamar tarde.
Amanhã, não lhe perguntes mais. O Sol é de manobras difíceis, escapa à asfixia de fios mandões quando a resposta é tão simples, porque tu já és Sol a queimar-te o peito e mais Sol serás, por tantas chuvas que venham inundar-te. E afinal, sem te deixares enlear, tens um Sol a bailar nos teus fios e outro gravado na pele de um feito.
exif / informação técnica
Máquina: Canon
Modelo: Canon EOS 450D
Exposição: 1/160
Abertura: f/6.3
ISO: 800
MeteringMode: Pattern
Flash: Não
Dist.Focal: 149 mm

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As mil maneiras de segurar um Sol.
As mil maneiras de segurar um Sol.

Amanhã vais perguntar-lhe o que não sabes.
Amanhã vais perguntar-lhe porque se nasce, de morte anunciada, porque comemos o que não temos, porque nos encontrámos ou desaparecemos, vais querer saber o sabor dos telhados das casas de pão-de-ló, vais querer lamber feridas que não se mostram, também procurar o que não existe.
Amanhã vais empurra-lo num caminho sem sentido, questionar a razão de todo e qualquer pedido, soltar gritos de espanto perante um pranto envelhecido, vais querer navegar onde a água é uma miragem, sobrevoar toda a superfície de um prado de argila, mergulhar a pés juntos num doce de gila e queimar um incenso sem cheiro ou outras lamparinas tão cheias de vazio.
Amanhã vais embalá-lo sem braços, adormecê-lo em sonhos sem nicotina, acordá-lo com o silêncio da tua ausência. Amanhã vais patrocinar uma trovoada, só para mostrares o tamanho dos teus dedos, vais desvendar o que nunca foi segredo e esconder o que jamais passou da novidade, vais tricotar um colete de medos, chamar-lhe nomes complicados, salteá-lo em lume brando e provar, colher de osso na mão e olhar azedo.
Amanhã vais querer um Sol só para ti. Vais perguntar-lhe o que sabe da caça ao mesmo, insistir e vergá-lo na força da conquista, vais ainda sorrir sem o querer, oferecer enfeitados presentes, dedicar bafientas canções. Na ameaça de lhe sorveres o conteúdo dos olhos, ameaças a pergunta e vais querer saber as mil maneiras de segurar um Sol.
Amanhã vais fazer de tudo para ele se tornar cedo, entrecosto da tarde e meio-irmão do nada.
Amanhã, quando ele se tornar presa de dez sujos lençóis, passo amarrado a um piso abismo, vais perguntar uma última vez. A voz ameaça a queda, a queda anuncia a morte, a morte anunciada, para a qual se nasce, na tua primeira pergunta formulada. E, de novo, faltará o sentido.
Antes que o amanhã acorde rabugento, responder-te-á, na esquina do medo, que o Sol não é o que te gravaram na definição, o Sol podem ser elas, eles, outros, aqueles. Pode até ser aquele pé de feijão, que cresceu para dar sombra aos três dedos do pé direito, pode ser um sorriso, uma corrida, um olá, um banco de madeira estragada onde haja espaço para duas mãos. E mais te dirá, antes que de cedo se comece a chamar tarde.
Amanhã, não lhe perguntes mais. O Sol é de manobras difíceis, escapa à asfixia de fios mandões quando a resposta é tão simples, porque tu já és Sol a queimar-te o peito e mais Sol serás, por tantas chuvas que venham inundar-te. E afinal, sem te deixares enlear, tens um Sol a bailar nos teus fios e outro gravado na pele de um feito.
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MeteringMode: Pattern
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