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Arte Digital/As Quatro Estações de Vivaldi (III – Outono)
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Arte Digital/As Quatro Estações de Vivaldi (III – Outono)
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As Quatro Estações de Vivaldi (III – Outono)

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Arte Digital

2011-09-19 21:45:50
comentários (1196) galardões descrição exif favorita de (302)
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VIVALDI
Antonio Vivaldi (Veneza,1678 - Viena,1741) foi um compositor e músico italiano.
A música instrumental do barroco tardio deve a Vivaldi muitos de seus elementos característicos. Os seus concertos foram tomados como modelos por vários compositores, inclusive por Bach.
Era conhecido por “il prete rosso” por ter sido um sacerdote com cabelos ruivos.
Compôs 770 obras, entre as quais 477 concertos e 46 óperas. É sobretudo conhecido como o autor da série de concertos para violino e orquestra “Le quattro stagioni” (As Quatro Estações).

AS QUATRO ESTAÇÕES
As Quatro Estações foram publicadas em Amsterdão em 1725 com mais oito concertos sob o nome Opus 8. Esse conjunto ficou popularmente conhecido por "Il Cimento dell'Armonia e dell'Invenzione", ou "O Contraste entre Harmonia e Invenção" - um testamento do admirável teor de técnica intelectual e fantasia criativa de Vivaldi.

SONETOS
Para melhor entendimento e fruição da obra existem quatro sonetos, um por cada estação, constituindo um importante elemento para alcançar as cenas imaginadas por Vivaldi. A autoria destes sonetos não é confirmada, no entanto o casamento entre poesia e música é tão perfeito que se reforça a presunção de autoria em relação a Vivaldi.

Outono
Celebra o aldeão com danças e cantos
O grande prazer de uma feliz colheita;
Mas um tanto aceso pelo licor de Baco
Encerra com o sono estes divertimentos.

Faz a todos interromper danças e cantos,
O clima temperado é aprazível;
E a estação convida a uns e outros
A gozar de um dulcíssimo sono.

O caçador, na nova manhã, à caça,
Com trompas, espingardas e cães, irrompe;
Foge a besta, mas seguem-lhe o rastro.

Já exausta e apavorada com o grande rumor,
Por tiros e mordidas ferida, ameaça
Uma frágil fuga, mas cai e morre oprimida!

BARROCO
Barroco é um estilo artístico que teve origem em Itália a partir das experiências maneiristas de finais do século XVI e rapidamente se expandiu para outros países europeus, atingindo mais tarde as colónias espanholas e portuguesas da América Latina e da Ásia, até meados do século XVIII.
Ao contrário da simplicidade e serenidade do estilo renascentista, o barroco caracterizava-se pelo movimento, pelo dramatismo e pelo exagero.
Enquanto no Renascimento as figuras eram apresentadas de forma estática como que posando para um retrato, no Barroco elas apresentam uma forma teatral, numa busca incessante do movimento e do infinito, enquanto jogos de luz aumentam a dramaticidade das cenas, destacando os elementos mais importantes da obra, os quais formam uma composição em diagonal.
A simetria e o equilíbrio são rompidos na arte barroca, metas tão procuradas durante o Renascimento.
Os temas do Barroco são mitológicos, religiosos e quotidianos onde predomina mais a emoção que a razão: o seu propósito é impressionar os sentidos do observador, baseando-se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio.
O colorido e o contraste de claro-escuro são intensos e expressam de forma peculiar os sentimentos.
A busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas e o entrelaçamento entre a arquitetura e escultura, a tentativa de integração das diferentes disciplinas artísticas são também algumas das suas características.
O recurso favorito dos artistas barrocos para a criação de um espaço dinâmico e profundo foi a utilização de primeiros planos magnificados com objetos aparentemente bem ao alcance do observador, justapostos a outros em dimensões reduzidas num plano de fundo muito recuado.
Também foi comum o uso do escorço pronunciado e de perspectivas multifocais. Segundo Hauser, a tendência barroca de substituir o absoluto pelo relativo, a limitação pela liberdade, é expressa mais nitidamente no uso de formas abertas.
Além disso, na forma clássica a linha reta, o equilíbrio e as coordenadas ortogonais são elementos fortes na articulação da composição, mas no Barroco a preferência passa para as diagonais, a assimetria, as formas curvas e espiraladas, e um desprezo pela orientação provida pelos limites físicos da obra, organizando-se livremente pelo espaço disponível e parecendo poder continuar para além da moldura.

JET METAMORFOSIS
O tema das Quatro Estações é simples e popular, dado que se refere à Terra e seus habitantes, mas ampliando-se simbolicamente para horizontes mais complexos, pois está ligado a tudo que se refere ao número 4, às quimeras, às visões bíblicas, aos elementos, aos evangelhos, às fases da lua, ao Tarô.
Cada Estação é composta por 3 movimentos. O primeiro movimento refere-se à primeira estrofe dos sonetos, o segundo à segunda e o terceiro às duas últimas.
Nesta Estação do Outono pode-se sentir novamente um ambiente alegre, onde o camponês celebra com festas e cantos a feliz colheita, com intenso prazer.
Está tão aceso pelos vinhos de Baco que a alegria se transforma em sono. A música representa a embriaguez, e a festa prossegue até que a orgia adormece todos os participantes, no segundo movimento. No dia seguinte, terceiro movimento, o caçador sai à caça com trompas, espingardas e cães ferozes. Podemos sentir a fuga da presa com os caçadores seguindo as suas pegadas. Já esgotada e temerosa com o grande alvoroço de rifles e cães, a presa é ferida, tenta fugir, mas é atingida e morre.

A actual abordagem desta obra de Vivaldi não pôde ser dissociada de todo o contexto artístico e social do período barroco em que foi criada. Nomes como Caravaggio, Andrea Pozzo, Rubens, Rembrandt, Velazquez, El Greco (na pintura), Giacomo della Porta, Francesco Borromini, Pietro da Cortona (na arquitectura), Bernini, Machado de Castro, Aleijadinho (na escultura), Francisco de Quevedo, D. Francisco Manuel de Melo, Padre António Vieira, Molière, Racine, La Fontaine, Henric Spieghel e Samuel Johnson (literatura, poesia e teatro), Arcangelo Corelli, Antonio Vivaldi, Giuseppe Tartini, Bach, Händel (música), são alguns dos representantes duma época extremamente rica em termos culturais e que deixou inúmeros legados de inestimável riqueza artística.

A abordagem individual de cada obra/autor conduziu a um conjunto de emoções/sensações, em que, independentemente do campo artístico e autor em causa, criaram um todo que designo como um “sentir barroco”. Este foi o background de informação que suportou o eixo/tema principal (a reinterpretação das Quatro Estações de Vivaldi – música e sonetos).

Existe uma nítida transversalidade e globalização na actual abordagem. Essa visão global refuta a disciplinaridade, segmentação de significados e de referenciais estéticos. O conhecimento disjuntivo é estanque, e como tal tem a subjectividade eliminada… o sujeito é excluído do processo.
Obviamente que o “sentir barroco” não parou no tempo/época, e tal como o próprio estilo barroco se auto-projectou para fora dos limites físicos e temporais, esta visão das Quatro Estações está conectada a um Universo de sensações mas exprime-se esteticamente num discurso próprio, interiorizada e pós-exteriorizada de acordo com uma visão vanguardista, apontando os tópicos noutra direção e estabelecendo novas relações entre os pontos de vista: os que foram teoricamente sistematizados e emulados das artes eruditas e os que estão na minha vivência.

O fracionamento do saber e do ver implica a “especialização” e resulta na fragmentação das consciências, na interpretação isolada dos eventos e das sensações. A realidade vista apenas em fragmentos seccionados, conduz à ilusão e incorre em erro de paralaxe. Essa visão destorcida do Mundo é o que vem ocasionando os desequilíbrios na Natureza, já que as visões separatistas desvinculam a ciência da consciência, a sensibilidade da racionalidade, a materialidade da espiritualidade, o sonoro do cromático, o poético do científico.

Citando Nicolescu, “a objetividade instalada como critério supremo de verdade teve uma consequência inevitável: a transformação do sujeito em objecto”.

NOTAS FINAIS
O conjunto das Quatro Estações irá ter a sua versão vídeo musicada que fará parte integrante do ciclo de Seminários e Exposições em 2012, equacionando-se ainda uma futura publicação em livro.
O motivo da publicação aqui no Olhares ter começado na Estação III, deve-se à coincidência com a breve chegada do Outono… se o calendário e o clima chegarem a acordo.
Um Bom Outono a todos!
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As Quatro Estações de Vivaldi (III – Outono)
VIVALDI
Antonio Vivaldi (Veneza,1678 - Viena,1741) foi um compositor e músico italiano.
A música instrumental do barroco tardio deve a Vivaldi muitos de seus elementos característicos. Os seus concertos foram tomados como modelos por vários compositores, inclusive por Bach.
Era conhecido por “il prete rosso” por ter sido um sacerdote com cabelos ruivos.
Compôs 770 obras, entre as quais 477 concertos e 46 óperas. É sobretudo conhecido como o autor da série de concertos para violino e orquestra “Le quattro stagioni” (As Quatro Estações).

AS QUATRO ESTAÇÕES
As Quatro Estações foram publicadas em Amsterdão em 1725 com mais oito concertos sob o nome Opus 8. Esse conjunto ficou popularmente conhecido por "Il Cimento dell'Armonia e dell'Invenzione", ou "O Contraste entre Harmonia e Invenção" - um testamento do admirável teor de técnica intelectual e fantasia criativa de Vivaldi.

SONETOS
Para melhor entendimento e fruição da obra existem quatro sonetos, um por cada estação, constituindo um importante elemento para alcançar as cenas imaginadas por Vivaldi. A autoria destes sonetos não é confirmada, no entanto o casamento entre poesia e música é tão perfeito que se reforça a presunção de autoria em relação a Vivaldi.

Outono
Celebra o aldeão com danças e cantos
O grande prazer de uma feliz colheita;
Mas um tanto aceso pelo licor de Baco
Encerra com o sono estes divertimentos.

Faz a todos interromper danças e cantos,
O clima temperado é aprazível;
E a estação convida a uns e outros
A gozar de um dulcíssimo sono.

O caçador, na nova manhã, à caça,
Com trompas, espingardas e cães, irrompe;
Foge a besta, mas seguem-lhe o rastro.

Já exausta e apavorada com o grande rumor,
Por tiros e mordidas ferida, ameaça
Uma frágil fuga, mas cai e morre oprimida!

BARROCO
Barroco é um estilo artístico que teve origem em Itália a partir das experiências maneiristas de finais do século XVI e rapidamente se expandiu para outros países europeus, atingindo mais tarde as colónias espanholas e portuguesas da América Latina e da Ásia, até meados do século XVIII.
Ao contrário da simplicidade e serenidade do estilo renascentista, o barroco caracterizava-se pelo movimento, pelo dramatismo e pelo exagero.
Enquanto no Renascimento as figuras eram apresentadas de forma estática como que posando para um retrato, no Barroco elas apresentam uma forma teatral, numa busca incessante do movimento e do infinito, enquanto jogos de luz aumentam a dramaticidade das cenas, destacando os elementos mais importantes da obra, os quais formam uma composição em diagonal.
A simetria e o equilíbrio são rompidos na arte barroca, metas tão procuradas durante o Renascimento.
Os temas do Barroco são mitológicos, religiosos e quotidianos onde predomina mais a emoção que a razão: o seu propósito é impressionar os sentidos do observador, baseando-se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio.
O colorido e o contraste de claro-escuro são intensos e expressam de forma peculiar os sentimentos.
A busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas e o entrelaçamento entre a arquitetura e escultura, a tentativa de integração das diferentes disciplinas artísticas são também algumas das suas características.
O recurso favorito dos artistas barrocos para a criação de um espaço dinâmico e profundo foi a utilização de primeiros planos magnificados com objetos aparentemente bem ao alcance do observador, justapostos a outros em dimensões reduzidas num plano de fundo muito recuado.
Também foi comum o uso do escorço pronunciado e de perspectivas multifocais. Segundo Hauser, a tendência barroca de substituir o absoluto pelo relativo, a limitação pela liberdade, é expressa mais nitidamente no uso de formas abertas.
Além disso, na forma clássica a linha reta, o equilíbrio e as coordenadas ortogonais são elementos fortes na articulação da composição, mas no Barroco a preferência passa para as diagonais, a assimetria, as formas curvas e espiraladas, e um desprezo pela orientação provida pelos limites físicos da obra, organizando-se livremente pelo espaço disponível e parecendo poder continuar para além da moldura.

JET METAMORFOSIS
O tema das Quatro Estações é simples e popular, dado que se refere à Terra e seus habitantes, mas ampliando-se simbolicamente para horizontes mais complexos, pois está ligado a tudo que se refere ao número 4, às quimeras, às visões bíblicas, aos elementos, aos evangelhos, às fases da lua, ao Tarô.
Cada Estação é composta por 3 movimentos. O primeiro movimento refere-se à primeira estrofe dos sonetos, o segundo à segunda e o terceiro às duas últimas.
Nesta Estação do Outono pode-se sentir novamente um ambiente alegre, onde o camponês celebra com festas e cantos a feliz colheita, com intenso prazer.
Está tão aceso pelos vinhos de Baco que a alegria se transforma em sono. A música representa a embriaguez, e a festa prossegue até que a orgia adormece todos os participantes, no segundo movimento. No dia seguinte, terceiro movimento, o caçador sai à caça com trompas, espingardas e cães ferozes. Podemos sentir a fuga da presa com os caçadores seguindo as suas pegadas. Já esgotada e temerosa com o grande alvoroço de rifles e cães, a presa é ferida, tenta fugir, mas é atingida e morre.

A actual abordagem desta obra de Vivaldi não pôde ser dissociada de todo o contexto artístico e social do período barroco em que foi criada. Nomes como Caravaggio, Andrea Pozzo, Rubens, Rembrandt, Velazquez, El Greco (na pintura), Giacomo della Porta, Francesco Borromini, Pietro da Cortona (na arquitectura), Bernini, Machado de Castro, Aleijadinho (na escultura), Francisco de Quevedo, D. Francisco Manuel de Melo, Padre António Vieira, Molière, Racine, La Fontaine, Henric Spieghel e Samuel Johnson (literatura, poesia e teatro), Arcangelo Corelli, Antonio Vivaldi, Giuseppe Tartini, Bach, Händel (música), são alguns dos representantes duma época extremamente rica em termos culturais e que deixou inúmeros legados de inestimável riqueza artística.

A abordagem individual de cada obra/autor conduziu a um conjunto de emoções/sensações, em que, independentemente do campo artístico e autor em causa, criaram um todo que designo como um “sentir barroco”. Este foi o background de informação que suportou o eixo/tema principal (a reinterpretação das Quatro Estações de Vivaldi – música e sonetos).

Existe uma nítida transversalidade e globalização na actual abordagem. Essa visão global refuta a disciplinaridade, segmentação de significados e de referenciais estéticos. O conhecimento disjuntivo é estanque, e como tal tem a subjectividade eliminada… o sujeito é excluído do processo.
Obviamente que o “sentir barroco” não parou no tempo/época, e tal como o próprio estilo barroco se auto-projectou para fora dos limites físicos e temporais, esta visão das Quatro Estações está conectada a um Universo de sensações mas exprime-se esteticamente num discurso próprio, interiorizada e pós-exteriorizada de acordo com uma visão vanguardista, apontando os tópicos noutra direção e estabelecendo novas relações entre os pontos de vista: os que foram teoricamente sistematizados e emulados das artes eruditas e os que estão na minha vivência.

O fracionamento do saber e do ver implica a “especialização” e resulta na fragmentação das consciências, na interpretação isolada dos eventos e das sensações. A realidade vista apenas em fragmentos seccionados, conduz à ilusão e incorre em erro de paralaxe. Essa visão destorcida do Mundo é o que vem ocasionando os desequilíbrios na Natureza, já que as visões separatistas desvinculam a ciência da consciência, a sensibilidade da racionalidade, a materialidade da espiritualidade, o sonoro do cromático, o poético do científico.

Citando Nicolescu, “a objetividade instalada como critério supremo de verdade teve uma consequência inevitável: a transformação do sujeito em objecto”.

NOTAS FINAIS
O conjunto das Quatro Estações irá ter a sua versão vídeo musicada que fará parte integrante do ciclo de Seminários e Exposições em 2012, equacionando-se ainda uma futura publicação em livro.
O motivo da publicação aqui no Olhares ter começado na Estação III, deve-se à coincidência com a breve chegada do Outono… se o calendário e o clima chegarem a acordo.
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