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Arte Digital/Awaken II (3. Alice no País das Ervilhas)
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Arte Digital/Awaken II (3. Alice no País das Ervilhas)
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Awaken II (3. Alice no País das Ervilhas)

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Arte Digital

2010-05-24 22:37:58
comentários (2220) galardões descrição exif favorita de (540)
descrição
19h 30 min
Preparo o jantar de sanduíche de cogumelos, bom e barato que a crise aperta.
Numa panela refogo cebola até dourar um pouco. Junto cogumelos e tomate e refogo mais uns minutos sem deixar o tomate desmanchar e tempero com sal. Numa tigela bato levemente uma clara de ovo e incorporo-a com creme de leite. Adiciono a mistura ao refogado e misturo rapidamente até incorpar, e está feito. Salsinha e parmesão não há, mas que se lixe. Abro o pão, atiro a mistela lá para dentro junto com uma folha de alface, e NHAC !!!!

20h 00 min
Já jantado sento-me no sofá e ligo a TV. Noticiários estão a começar.
Canal 1 - Novas medidas do governo para combater a crise… Provável aumento de impostos…
Canal 2 – Portugal tem os submarinos mais secretos do mundo… não se sabe quem os comprou, quanto custaram, quando chegam… Governo preocupado por um possível ataque dos mouros…
Canal 3 - Novo aumento dos combustíveis… Portugal é o 1º exportador de Ervilhas da Península Ibérica…
Canal 4 - O Governo aumenta 10 impostos existentes e cria mais 9… Ministro afirma que as medidas apenas vão afectar 95% do povo Português…

21h 00 min
Sou atacado por um sono irresistível… ou os cogumelos estavam estragados, ou o teor repetitivo dos noticiários induzia a uma torpeza mental.
Os olhos vão-se fechando e vou abandonando o duro estado da (ir)realidade actual.
Tenho um sonho, tenho vários sonhos desconexamente ligados.
Sonhei que o Príncipe Carlos me estava a pedir em casamento. Fujo a sete pés que o gajo além de aborrecido tem mau hálito e embrenho-me num denso bosque. Caio num vazio, um enorme buraco negro, dentro do qual aos vários Espaços perceptíveis em coordenadas xyz é adicionada a coordenada Tempo. A limitação dos sentidos humanos é incrível e nem sequer sabemos se o que eles nos enviam é real. O desenvolvimento de universos mentais adquire uma força e clareza bem maiores, e certamente uma maior fidelidade. A pluri quadrimensionalidade torna-se um universo limpo em comparação com as bi ou tridimensionalidades do nosso quotidiano. Fico na dúvida se estou a cair, a subir, ou se estou estático e tudo gira… mas será que interessa? O movimento relativo a um eixo é determinante, ou um factor mínimo comparado com toda a dinâmica do(s) universo(s)?
Aterro num rectângulo verde, pés na Terra, e a súbita condição humana faz-me sentir confortável. Reconheço o espaço, o tempo continua difuso, as situações entrechocam-se entre duras realidades e irrealidades possíveis. Estou em Portugal. Isto aqui é Portugal ?!?

Tenho um vestido azul e sinto-me Alice no País das Ervilhas.

Sonhei que Portugal tinha ganho o Campeonato do Mundo de Futebol, com uma revolucionária táctica TMFD (Tudo ao Molho e Fé em Deus), sendo o guarda redes Eduardo Mãos de Tesoura o melhor marcador da competição. Maior relevo merece a proeza, já que o seleccionador apenas levou 11 jogadores como medida de contenção de despesas. A Federação fretou vários charters, onde para além dos dirigentes se deslocaram à África do Sul vários árbitros e alguns empresários, no sentido de divulgar a Ervilha como Produto Nacional Certificado e conquistar assim novos mercados. Mais tarde a comitiva foi recebida em apoteose por uma vasta multidão que incluía El-Rei D. Sebastião, regressado expressamente de Marrocos numa manhã de cinzas vulcânicas.

Os Gatos Fedorentos, apoiados por metade dos simpatizantes do Benfica, tinham tomado o poder com maioria absoluta, re-instituindo a monarquia em substituição da anarco-democracia, adoptando também a antiga bandeira azul e branca para evitar superstições e mal entendidos. Como primeira medida cozinharam simbolicamente o Galo de Barcelos, símbolo de vudu e inércia no tempo, e instituíram a Língua de Gato como idioma oficial.

Chegou-se rapidamente a uma solução justa e equilibrada para a construção do novo aeroporto. Atendendo à época de crise, e como medida de contenção de despesa pública, foi decidido construir apenas meio aeroporto. Somente o terminal e pistas de saída foram construídos, dando assim resposta à forte pressão da emigração que procura onde haja pão para comer, e também atendendo ao facto que sendo o país tão pouco atractivo quer para o turista, quer para o investimento estrangeiro, não se justificava a criação de toda uma infraestrutura de entrada.

Foi abandonado o projecto do TGV (Transporte de Grandes VIP’s) e recuperou-se a velha frota de autocarros de dois andares, ainda em bom estado para as descidas e poupando bastante espaço no solo, resolvendo assim boa parte dos problemas de circulação. Também as frotas de táxis foram substituídas por joaninhas, resultando num decor muito mais moderno das nossas cidades.

A questão da 3ª travessia do Tejo foi resolvida de vez. Vendemos o Rio ao Espanhóis que fizeram uma barragem. Produziram energia a preços competitivos e acabaram com o monopólio das empresas distribuidoras em Portugal, tendo o consumidor finalmente uma opção válida de escolha. Ganhou-se na venda, ganhou o cidadão e poupou-se na infraestrutura… e nas horas de discussão inócuas.

Revelaram que a Gripe dos Flamingos era um falso alarme, uma pseudo-pandemia cujas origens são indetectáveis, mas cujo desmascarar atempado permitiu a poupança de milhões de euros em vacinas inúteis. Promoveram também o Flamingo a Ave Nacional e espécie protegida, em substituição do decrépito Galo de Barcelos, medida que agradou às correntes ambientalistas de Bruxelas e elevou ainda mais o respeito e estima que a Comunidade Internacional tinha pelo país.

Foram abolidas as escutas telefónicas e todos os processos de imiscuidade na vida pessoal, não pela inconstitucionalidade ou questões de ética/moral, mas por se terem tornado obsoletas… o povo gosta mesmo é de divulgar a vida privada… a sua e a dos outros.
Os ex-PIDE, SIS e afins foram transferidos para o sector hoteleiro, área em estrondosa expansão, tendo sido efectuadas várias acções de formação que geraram mais postos de trabalho, e deixando de novo Bruxelas de boca aberta perante a dinâmica do nosso País.

OW Sapo!!! Não vale a pena estares a mandar beijos que eu sei que és o Príncipe Carlos disfarçado… rapa do meu sonho e vai coaxar lá prá PQP.

O velho orgulho português de queixo bem erguido durante séculos fora substituído pelo culto dos Morangos com Açúcar (e chocolate) e dada nova utilidade à Torre de Belém, apenas um dos múltiplos objectos que decoram o rectângulo verde, sinónimos de um poder e ostentação que efectivamente nunca tivemos, mas que gostamos de presumir perante os outros, nos intervalos de nos refugiarmos nos acordes de fado e na lenga lenga do destino e da infelicidade. Uma pitada de humildade diária de todos e cada um de nós ao longo de séculos não evitaria muito do que neste momento sofremos?

Sonhei que o Cravo ainda era o Rei das Flores Democráticas e não um mero objecto simbólico nas mãos de Rosas, Laranjas e outras espécies híbridas. Também a oposição não só se mostrava e usava símbolos e discursos montados, como exercia o seu papel numa sociedade dita democrática.

Sonhei que a Democracia não era uma dança aleatória de bolinhas de sabão, jogada aos 7 ventos por um qualquer bobo da corte.

Supondo que o Universo é mutável no domínio do tempo, deve haver razões físicas para que realmente houvesse um começo, e se não existia nada antes, o que fez com que o desequilíbrio da singularidade criasse um Universo caótico e em mutação?... @*§@~ … esperem aí Einstein, Gamow e companhia que já tenho confusão que chegue no meu sonho…

Talvez o facto de maior relevância se prenda com a descoberta de algo ligado às necessidades básicas da população. Um pedinte de rua (ex-classe média, essa espécie em vias de extinção) descobriu casualmente (fome a quanto obrigas) que a muita produção de papel com a publicação de Diários da República, Constituição, Orçamento de Estado, PEC, etc., afinal tinham alguma utilidade se usados correctamente. A questão era reciclar. Uma boa salada dentro dum molho de folhas de papel eram mais que suficientes para as necessidades básicas alimentares dos portugueses. Óbvio que uma descoberta deste nível originou imediatamente a abertura de cadeias de PEC-Donald’s, onde era usual ouvir…. “uma sandes mista de Constituição sem nada lá dentro”… “sai um cachorro de Orçamento de Estado com maionese light”… “mais um pacote de medidas fritas e um suco de rosa-laranja sff”. Finalmente uma medida concreta com efeitos directos na recessão e no desenvolvimento económico.

Sonhei que um dia se iriam abrir as verdes cortinas de fachada que balançam ao gosto de mestres de ilusão… e que por detrás iria ver um céu azul com um arco íris (embora em consciência saiba que alguém o pintou). Puro engano. Atrás das cortinas ainda há portões, e uma terra queimada ao longo de séculos de desgoverno e presunção.

09h 01 min
TRIMMMM … TRIMMMM….
Sou acordado abruptamente pelo som da campainha da porta.
Era um sujeito mal encarado, orelhudo e com cara de sapo. Ainda pensei que era o Príncipe Carlos revivido do sonho, mas não… era um Fiscal do recém super Ministério das Finanças e Controle Interno.
O chip instalado no meu cérebro, peça constituinte do Cartão de Cidadão e orgulho da tecnologia lusa, tinha detectado anomalias nocturnas e como tal estava sujeito às novas taxas aprovadas na véspera.
Da factura constava:
IRS (Imposto Retaliador de Sonhos) - 150 €
IVA (Imposto de Visão Acrescentada) - 125 €
ID (Imposto de Dormir) -100 €
IDV (Imposto do Direito de Viver) -100 €
VALOR TOTAL : 475 € (exactamente igual ao meu Salário Mínimo Nacional)
Fazer o quê?
Abri a porta do frigorífico e peguei na última lata de ervilhas que havia. O dia estava bonito e inspirei o ar puro matinal… ainda é grátis. No quintal um sapo coaxou… e a lata de ervilhas voou :)

MORAL DA HISTÓRIA: Comer cogumelos à noite é indigesto… prefira a Ervilha Nacional e “lá vamos, cantando e rindo…”

Assim vai o País…
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Awaken II (3. Alice no País das Ervilhas)
19h 30 min
Preparo o jantar de sanduíche de cogumelos, bom e barato que a crise aperta.
Numa panela refogo cebola até dourar um pouco. Junto cogumelos e tomate e refogo mais uns minutos sem deixar o tomate desmanchar e tempero com sal. Numa tigela bato levemente uma clara de ovo e incorporo-a com creme de leite. Adiciono a mistura ao refogado e misturo rapidamente até incorpar, e está feito. Salsinha e parmesão não há, mas que se lixe. Abro o pão, atiro a mistela lá para dentro junto com uma folha de alface, e NHAC !!!!

20h 00 min
Já jantado sento-me no sofá e ligo a TV. Noticiários estão a começar.
Canal 1 - Novas medidas do governo para combater a crise… Provável aumento de impostos…
Canal 2 – Portugal tem os submarinos mais secretos do mundo… não se sabe quem os comprou, quanto custaram, quando chegam… Governo preocupado por um possível ataque dos mouros…
Canal 3 - Novo aumento dos combustíveis… Portugal é o 1º exportador de Ervilhas da Península Ibérica…
Canal 4 - O Governo aumenta 10 impostos existentes e cria mais 9… Ministro afirma que as medidas apenas vão afectar 95% do povo Português…

21h 00 min
Sou atacado por um sono irresistível… ou os cogumelos estavam estragados, ou o teor repetitivo dos noticiários induzia a uma torpeza mental.
Os olhos vão-se fechando e vou abandonando o duro estado da (ir)realidade actual.
Tenho um sonho, tenho vários sonhos desconexamente ligados.
Sonhei que o Príncipe Carlos me estava a pedir em casamento. Fujo a sete pés que o gajo além de aborrecido tem mau hálito e embrenho-me num denso bosque. Caio num vazio, um enorme buraco negro, dentro do qual aos vários Espaços perceptíveis em coordenadas xyz é adicionada a coordenada Tempo. A limitação dos sentidos humanos é incrível e nem sequer sabemos se o que eles nos enviam é real. O desenvolvimento de universos mentais adquire uma força e clareza bem maiores, e certamente uma maior fidelidade. A pluri quadrimensionalidade torna-se um universo limpo em comparação com as bi ou tridimensionalidades do nosso quotidiano. Fico na dúvida se estou a cair, a subir, ou se estou estático e tudo gira… mas será que interessa? O movimento relativo a um eixo é determinante, ou um factor mínimo comparado com toda a dinâmica do(s) universo(s)?
Aterro num rectângulo verde, pés na Terra, e a súbita condição humana faz-me sentir confortável. Reconheço o espaço, o tempo continua difuso, as situações entrechocam-se entre duras realidades e irrealidades possíveis. Estou em Portugal. Isto aqui é Portugal ?!?

Tenho um vestido azul e sinto-me Alice no País das Ervilhas.

Sonhei que Portugal tinha ganho o Campeonato do Mundo de Futebol, com uma revolucionária táctica TMFD (Tudo ao Molho e Fé em Deus), sendo o guarda redes Eduardo Mãos de Tesoura o melhor marcador da competição. Maior relevo merece a proeza, já que o seleccionador apenas levou 11 jogadores como medida de contenção de despesas. A Federação fretou vários charters, onde para além dos dirigentes se deslocaram à África do Sul vários árbitros e alguns empresários, no sentido de divulgar a Ervilha como Produto Nacional Certificado e conquistar assim novos mercados. Mais tarde a comitiva foi recebida em apoteose por uma vasta multidão que incluía El-Rei D. Sebastião, regressado expressamente de Marrocos numa manhã de cinzas vulcânicas.

Os Gatos Fedorentos, apoiados por metade dos simpatizantes do Benfica, tinham tomado o poder com maioria absoluta, re-instituindo a monarquia em substituição da anarco-democracia, adoptando também a antiga bandeira azul e branca para evitar superstições e mal entendidos. Como primeira medida cozinharam simbolicamente o Galo de Barcelos, símbolo de vudu e inércia no tempo, e instituíram a Língua de Gato como idioma oficial.

Chegou-se rapidamente a uma solução justa e equilibrada para a construção do novo aeroporto. Atendendo à época de crise, e como medida de contenção de despesa pública, foi decidido construir apenas meio aeroporto. Somente o terminal e pistas de saída foram construídos, dando assim resposta à forte pressão da emigração que procura onde haja pão para comer, e também atendendo ao facto que sendo o país tão pouco atractivo quer para o turista, quer para o investimento estrangeiro, não se justificava a criação de toda uma infraestrutura de entrada.

Foi abandonado o projecto do TGV (Transporte de Grandes VIP’s) e recuperou-se a velha frota de autocarros de dois andares, ainda em bom estado para as descidas e poupando bastante espaço no solo, resolvendo assim boa parte dos problemas de circulação. Também as frotas de táxis foram substituídas por joaninhas, resultando num decor muito mais moderno das nossas cidades.

A questão da 3ª travessia do Tejo foi resolvida de vez. Vendemos o Rio ao Espanhóis que fizeram uma barragem. Produziram energia a preços competitivos e acabaram com o monopólio das empresas distribuidoras em Portugal, tendo o consumidor finalmente uma opção válida de escolha. Ganhou-se na venda, ganhou o cidadão e poupou-se na infraestrutura… e nas horas de discussão inócuas.

Revelaram que a Gripe dos Flamingos era um falso alarme, uma pseudo-pandemia cujas origens são indetectáveis, mas cujo desmascarar atempado permitiu a poupança de milhões de euros em vacinas inúteis. Promoveram também o Flamingo a Ave Nacional e espécie protegida, em substituição do decrépito Galo de Barcelos, medida que agradou às correntes ambientalistas de Bruxelas e elevou ainda mais o respeito e estima que a Comunidade Internacional tinha pelo país.

Foram abolidas as escutas telefónicas e todos os processos de imiscuidade na vida pessoal, não pela inconstitucionalidade ou questões de ética/moral, mas por se terem tornado obsoletas… o povo gosta mesmo é de divulgar a vida privada… a sua e a dos outros.
Os ex-PIDE, SIS e afins foram transferidos para o sector hoteleiro, área em estrondosa expansão, tendo sido efectuadas várias acções de formação que geraram mais postos de trabalho, e deixando de novo Bruxelas de boca aberta perante a dinâmica do nosso País.

OW Sapo!!! Não vale a pena estares a mandar beijos que eu sei que és o Príncipe Carlos disfarçado… rapa do meu sonho e vai coaxar lá prá PQP.

O velho orgulho português de queixo bem erguido durante séculos fora substituído pelo culto dos Morangos com Açúcar (e chocolate) e dada nova utilidade à Torre de Belém, apenas um dos múltiplos objectos que decoram o rectângulo verde, sinónimos de um poder e ostentação que efectivamente nunca tivemos, mas que gostamos de presumir perante os outros, nos intervalos de nos refugiarmos nos acordes de fado e na lenga lenga do destino e da infelicidade. Uma pitada de humildade diária de todos e cada um de nós ao longo de séculos não evitaria muito do que neste momento sofremos?

Sonhei que o Cravo ainda era o Rei das Flores Democráticas e não um mero objecto simbólico nas mãos de Rosas, Laranjas e outras espécies híbridas. Também a oposição não só se mostrava e usava símbolos e discursos montados, como exercia o seu papel numa sociedade dita democrática.

Sonhei que a Democracia não era uma dança aleatória de bolinhas de sabão, jogada aos 7 ventos por um qualquer bobo da corte.

Supondo que o Universo é mutável no domínio do tempo, deve haver razões físicas para que realmente houvesse um começo, e se não existia nada antes, o que fez com que o desequilíbrio da singularidade criasse um Universo caótico e em mutação?... @*§@~ … esperem aí Einstein, Gamow e companhia que já tenho confusão que chegue no meu sonho…

Talvez o facto de maior relevância se prenda com a descoberta de algo ligado às necessidades básicas da população. Um pedinte de rua (ex-classe média, essa espécie em vias de extinção) descobriu casualmente (fome a quanto obrigas) que a muita produção de papel com a publicação de Diários da República, Constituição, Orçamento de Estado, PEC, etc., afinal tinham alguma utilidade se usados correctamente. A questão era reciclar. Uma boa salada dentro dum molho de folhas de papel eram mais que suficientes para as necessidades básicas alimentares dos portugueses. Óbvio que uma descoberta deste nível originou imediatamente a abertura de cadeias de PEC-Donald’s, onde era usual ouvir…. “uma sandes mista de Constituição sem nada lá dentro”… “sai um cachorro de Orçamento de Estado com maionese light”… “mais um pacote de medidas fritas e um suco de rosa-laranja sff”. Finalmente uma medida concreta com efeitos directos na recessão e no desenvolvimento económico.

Sonhei que um dia se iriam abrir as verdes cortinas de fachada que balançam ao gosto de mestres de ilusão… e que por detrás iria ver um céu azul com um arco íris (embora em consciência saiba que alguém o pintou). Puro engano. Atrás das cortinas ainda há portões, e uma terra queimada ao longo de séculos de desgoverno e presunção.

09h 01 min
TRIMMMM … TRIMMMM….
Sou acordado abruptamente pelo som da campainha da porta.
Era um sujeito mal encarado, orelhudo e com cara de sapo. Ainda pensei que era o Príncipe Carlos revivido do sonho, mas não… era um Fiscal do recém super Ministério das Finanças e Controle Interno.
O chip instalado no meu cérebro, peça constituinte do Cartão de Cidadão e orgulho da tecnologia lusa, tinha detectado anomalias nocturnas e como tal estava sujeito às novas taxas aprovadas na véspera.
Da factura constava:
IRS (Imposto Retaliador de Sonhos) - 150 €
IVA (Imposto de Visão Acrescentada) - 125 €
ID (Imposto de Dormir) -100 €
IDV (Imposto do Direito de Viver) -100 €
VALOR TOTAL : 475 € (exactamente igual ao meu Salário Mínimo Nacional)
Fazer o quê?
Abri a porta do frigorífico e peguei na última lata de ervilhas que havia. O dia estava bonito e inspirei o ar puro matinal… ainda é grátis. No quintal um sapo coaxou… e a lata de ervilhas voou :)

MORAL DA HISTÓRIA: Comer cogumelos à noite é indigesto… prefira a Ervilha Nacional e “lá vamos, cantando e rindo…”

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