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Arte Digital/Awaken (XI - Comeu a Lambreta)
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Arte Digital/Awaken (XI - Comeu a Lambreta)
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Awaken (XI - Comeu a Lambreta)

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Arte Digital

2008-12-15 22:30:38
comentários (2134) galardões descrição exif favorita de (620)
descrição
NOTA INTRODUTÓRIA
Este é o 11º e ultimo capítulo do Volume I de Awaken.
Os diversos episódios vão ser reescritos e as imagem redesenhadas para publicação em livro, mantendo-se no entanto as características principais de cada um.
Estão previstos 3 volumes, com um total de 33 imagens e respectivos textos.
Um pixel da imagem para todos e cada um dos que têm acompanhado o meu trabalho é insuficiente para agradecer a importância do estímulo que representam.
Aos que trabalham directamente comigo não tem forma de agradecer… eles estão em mim!
______________________________________________
Romeu e Julieta, a história do amor de dois jovens, é o título de uma tragédia de Shakespeare, uma obra imortal da literatura. Shakespeare combinou a perspectiva histórica com uma interpretação trágica dos conflitos humanos.
A peça de Shakespeare, estreada em 1595, obteve um sucesso enorme e foi impressa pela primeira vez, em 1597. Apesar da história ser fictícia, tal como é referido na peça, "uma tragédia engenhosamente imaginada", o tema desta tragédia estava já presente na literatura grega. Foi, no entanto, Luigi de Porto o primeiro a utilizar os nomes Romeu e Julieta. A história foi, ainda, livremente adaptada pelo italiano Matteo Bandello, em 1554, aparecendo traduzida, em 1559, por Pierre Boisteau de Launay, em Histoires Tragiques de François de Belleforest. Esta versão foi traduzida para inglês, em 1562, por Arthur Brooke, em Tragical History of Romeo and Juliet, fonte na qual de baseou Shakespeare.
Este tema foi também musicado por Gounod, para ópera, e por Tchaikovsky e Prokofiev para bailados. Quanto ao cinema, foram realizadas várias versões - George Cukor (1936), Franco Zeffirelli (1968) e Baz Luhrmann (1996).

PRÓLOGO
A versão Jetiana adoptou o título “Comeu a Lambreta”, uma tragédia representada em ópera-rock, multicultural e facetada, com estreia mundial num nobre teatro de uma capital europeia apinhado de VIP’s e povão.
A personagem principal da história, MIR, já bem desgastada pelas tentativas de entender a raça humana, seus padrões e seu destino, resolveu assistir “in loco” a essa peça que emulava um sentimento que o seu cérebro biomecânico, humano-binário, logico-espiritual tinha sérias dificuldades de “catalogar”. A explicação do inexplicável Amor levantava uma série de contradições no seu íntimo.
No seu chip de memória repassaram flashes fugidios mas intensos de tudo que a humanidade já abordara sobre o tema, factos conexos, derivações (i)lógicas e nem sempre ordenadas temporalmente.

# No palco Uli Jon Roth com Pegasus sinfónico abria o concerto #

ACTO I
“ROMEU - A seta de Cupido não cogita de bater nela. Sábia como Diana, a castidade é sua soberana. Do arco gentil do amor está amparada e, assim, da lenga-lenga apaixonada. Resistir pode a todos os assaltos dos olhares morteiros, não chegando nunca a cair-lhe no regaço a chuva de ouro que os próprios santos tem vencido. Oh! é rica em beleza, mais que bela, porque a beleza morrerá com ela.”

A voz de Joe Cocker troava em palco:
# You're everything I hoped for, You're everything I need, You are so beautiful to me… #

Amor, impulso fundamental da vida, força de coesão que rege o universo, potência divina de eterna reconstrução! Em todos os níveis do ser ele está presente em infinitas formas. O amor, como a dor, tem uma função fundamental de conservação, coesão e renovação, e faz parte integrante do funcionamento orgânico do universo; o impulso não se destrói, mas reforça-se e eleva-se; o desejo não se mata, mas guia-se para uma contínua elevação. Evolução de instintos, evolução de paixões, aperfeiçoamento constante da personalidade (teoria evolutiva do psiquismo).
Quando se fala de amor é inevitável falar do Cupido, esse ser alado de aparência infantil, com asas e lançando flechas directas aos corações dos transeuntes, para que se apaixonem perdidamente.
Para os gregos, o seu nome é Eros, o jovem filho de Ares, o deus da guerra, e de Afrodite, a deusa do amor e da beleza. É descrito como «o mais belo dos deuses» por despertar o amor nos mortais, com o seu arco e flechas.
Na Roma Antiga por seu lado, era conhecido como Cupido, tal como lhe chamamos hoje. Os romanos criam que Cupido era filho de Vénus, a deusa da beleza e do amor, e do mensageiro alado dos deuses, Mercúrio.
Diz a lenda que Cupido teve um grande amor, Psyché, e que se dedicou a unir os corações, por ele próprio ter tido grandes dificuldades em consumá-lo com a sua bela mortal.
Os gregos do período tinham três palavras diferentes para três tipos opostos de amor:
1 . Eros (erotismo). É o amor carnal, sexual. O desejo físico do outro exprime-se pela paixão amorosa, vivida, muitas vezes, na falta e no sofrimento.
2 . Philia (amizade). O amor carnal evolui para o amor ternura. Não é mais somente um instinto carnal. Ele dá-se. É alegre, expansivo, e também amizade.
3 . Ágape (caridade). É o amor dado sem procura de contrapartida. É bem por excelência. A fonte do Amor está em Deus(es).
O amor-eros não é uma virtude. “É uma questão de sentimento e não de vontade - diz Kant - e eu não posso amar porque eu o quero, menos ainda porque eu devo“; daí conclui que um dever de amar é um “contra-senso”. Efectivamente, «o amor não se comanda porque é ele quem comanda».
Assim, “a benevolência nasce da concupiscência pois o amor nasce do desejo, do qual não é mais que a sublimação alegre e satisfeita. Este amor é uma virtude; querer o bem do outro é o próprio bem”.
É “o ideal da santidade”, sublinha Kant. Ele guia-nos e ilumina-nos. É uma virtude pois é uma excelência. E, milagre, “o amor que realiza a moral liberta-nos dela”. “Ama e faz o que quiseres”, dizia Santo Agostinho.

“ROMEU - Coisa terna julgais que seja o amor? Não; muito dura: dura e brutal, e fere como espinho.”

Os Nazareth reviviam “Love Hurts”:
# I know it isn’t true, Love is just a lie, Made to make you blue. Love hurts, ooh, ooh love hurts… #

PRÓLOGO
Annie Lennox abria rasgando com “Sweet Dreams” e continuando com “A Whiter Shade of Pale”:
“Sweet dreams are made of these, Who am i to disagree? Travel the world and the seven seas, everybody's looking for something…”
“Skipped a light fandango, Turned cartwheels across the floor , I was feelin' kind of seasick, The crowd called out of more. And the room was howling harder…”

ACTO II
“JULIETA - Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.
ROMEU - Oh! que noite abençoada! Tenho medo, de um sonho, lisonjeiro em demasia para ser realidade.”

Eric Clapton com “Wonderful tonight” encantava a plateia:
# It's late in the evening; she's wondering what clothes to wear. She puts on her make-up and brushes her long blonde hair. And then she asks me, "Do I look all right?" And I say, "Yes, you look wonderful tonight." #

Filosofia, Ciência e Religião já abordaram o tema AMOR e a evolução do “bem” sobre diversos prismas.
- Filósofos como Lao Tseu, Plotin, Santo Agostinho, colocaram o êxtase no centro da sua inspiração.
- A filosofia espiritualista de Kant, Hegel ou Augusto Comte, abordou o conceito de forma distinta.
- Platão, Aristóteles, Epicuro defenderam que se o homem deseja atingir o “soberano bem” - sinónimo de ataraxia, de beatismo, de êxtase por extensão – também se trata dum objectivo da humanidade.
- A Ciência Etológica, a Física Quântica, Darwinismo, apresentaram já teorias.
- Judaísmo, Cristianismo e Islamismo com as suas teleologias positivistas e conceitos de apocalipse, têm visões próprias do amor e do destino humano.
- As espiritualidades Asiáticas centraram a sua busca no despertar do homem para o êxtase, o nirvana.
Será que existe já um consenso, ou alguém conseguiu desvendar, justificar ou definir o “mistério” do Amor?

[Preparação de Pudim Romeu e Julieta: Bater no liquidificador o leite condensado, creme de leite, queijo branco, queijo ralado e a gelatina sem sabor. Colocar em forma de pudim ou uma de sua preferência e levar a geladeira. Dissolver a goiabada com água em fogo brando, deixe esfriar … bzzzz… bip, bip… chip errado.]

Como explicar Romeu e Julieta, Fausto e Gretchen, Dante e Beatriz? Apenas sentimos o inevitável da razão, mas há também tanto de coração que a razão nada explica na totalidade. Não existem palavras e/ou elas não formam frases. Seria preciso uma nova língua? Não são o silêncio e a compreensão uma linguagem universal?
Quem não entende o motivo do poeta quando desce ao inferno para resgatar Beatriz? Quem lê Goethe e não consegue entender a redenção de Fausto em Gretchen? Quantos sabem, no entanto, colocar isso em palavras? A própria necessidade de buscar o sentido, a beleza e complexidade dessas obras torna-as imortais.
Os grandes poetas não perderam tempo tentando explicar, mas em compreender, mostrar as acções dos personagens. Há dificuldade em transpor as palavras, em acreditar no não-dito, crer nos factos e ignorar as premissas, dar explicações, mas é tudo tão natural que as próprias representações falam por si, são exemplos, são mitologias. São arquétipos e como tal falam ao interior antes de falar à razão.

“JULIETA - Se esse amoroso pendor for sério e honesto, amanhã cedo me envia uma palavra pelo próprio que eu te mandar: em que lugar e quando pretendes realizar a cerimónia, que a teus pés deporei minha ventura, para seguir-te pelo mundo todo como a senhor e esposo.
AMA (dentro) - Senhorita!
JULIETA - Já vou! Já vou! - Porém se não for puro teu pensamento, peço-te...
AMA (dentro) - Menina!
JULIETA - Já vou! Neste momento! - ... que não sigas com tuas insistências e me deixes entregue à minha dor. Amanhã cedo te mandarei recado por um próprio.”

O som inconfundível dos Queen…
# Love of my life, you hurt me, You broken my heart, now you leave me…#
Uma teen de coração partido suspirava “o Amor é como um jardim… logo vem uma vaca e f… tudo”

ACTO III
O génio de Zappa a abrir este Acto
# Honey honey, hey… Baby don’t you want a man like me? He was the playboy type (he smoke a pipe)
His favourite phrase was "outa-site!" He had an irish setter… #

“JULIETA - Vilão e ele estejam separados por milhares de léguas. - Que perdoado seja por Deus, como por mim já o foi. Contudo, homem nenhum tanto, como ele, me oprime o coração.”

A globalização é uma tendência irreversível mas também uma passagem obrigatória da humanidade, responsável pela ascensão do nacional para o universal. Nenhuma religião e nenhuma ideologia seriam capazes de reunir o mundo através de um sistema único e conveniente a todos. Mas Bill Gates e a Microsoft estão conseguindo…
A globalização pelo mercado não é outra coisa senão um dos instrumentos para a paz universal que vai surgir, preparando a fusão das ideologias e das espiritualidades, ao centro duma quintessência comum e universal.
No entanto, esse domínio da globalização pelo sistema começa a ser um verdadeiro problema… o seu preço: o mercantilismo sistemático de todas as áreas da sociedade, incluindo a área humana e a sua espiritualidade.
Quando o mercado domina a área espiritual desvia o homem da reflexão, inundando o corpo e a alma humana de noções materiais e reduzindo o homem ao simples estado de consumidor e de mercadoria.
Quando o mercado domina a área militar, transforma a arma num artigo de consumo e espalha-a por todo o planeta com as consequências que já conhecemos, influenciando guerras para a sua própria expansão.
Quando o mercado domina a ecologia, injecta a tempo dinheiro suficiente para a pesquisa sobre energias limpas, obrigando constantemente a humanidade a reparar os seus danos.
Quando o mercado domina a política alcança ainda mais áreas da sociedade. É por isso que os mídias ficaram dependentes dele, com todas as aberrações que nisso vemos.

O chip da MIR fervia: [Paraíso »»» “Um Amor e uma Cabana” »»» “A Cabana do Pai Tomás” »»» Ku Klux Klan »»» Branco e Negro »»» Yin Yang »»» Harmonia … bzzzz… bip…bip]

Quando o mercado está acima da educação, orienta pouco a pouco o ensino para as únicas disciplinas utilitárias e mercantis – conceber, fabricar e vender – em detrimento das disciplinas intelectuais, artísticas e espirituais.
Quando o mercado domina a cultura, reduz rapidamente a diversidade e a qualidade dela para diminuir os custos de produção e aumentar os seus benefícios. Nos mídias de massa, apenas alguns artistas escolhidos compõem a área cultural, encolhendo o espaço intelectual do povo, a sua consciência e espírito crítico.
Quando o mercado domina os mídias, abafa a missão do jornalismo, transformando-o num simples meio de propaganda e de publicidade. A televisão e a imprensa passam a ser apenas uma montra de produtos para comprar. Aniquila os debates sérios e críticos, as emissões culturais e a visão verdadeira do mundo.
Quando o mercado está acima do povo, em vez de querer o seu bem procura a sua impulsividade e a sua dependência, estimulando as fraquezas, as tendências, e as perversões. Este problema permanecerá até que o mercado fique totalmente sob controlo e reencontre o seu lugar legítimo dentro da sociedade, ou seja: o último lugar na influência da humanidade.

Weird Al Yankovic delirava o público com a sua versão de “Like a Virgin” da Madonna…
“Like a virgin, Touched for the very first time, Like a virgin, When your heart beats (after first time, with your heartbeat), Next to mine…”
Ana Dias resmungava… “fds, já lixaram a música toda… vou mas é comprar pipocas”. Ao seu lado, o Ministro das Inaugurações rebolava a sua barriguinha anafada, libertava-se de frustrações de infância e pedia… “pode-me trazer um Ferrero Rocher?”

ACTO IV
Janis Joplin, Jim Morrison, Cassia Eller e Jimmy Hendrix numa Woodstockiana interpretação de “Cry Baby”:
# And if you ever feel a little lonely, dear, I want you to come on, come on to your mama now, And if you ever want a little love of a woman, Come on and baby baby baby babe babe baby now, Cry baby yeah. #

“JULIETA - Oh! fecha a porta logo! E, após a teres fechado, vem também chorar comigo. Já não há esperança, nem remédio, não há socorro algum.”

Ao lado da MIR, o galã Clark Gable tentava meter conversa com as suas frases irresistíveis… “O amor não é um gemido plangente de um violino distante... É o triunfante zunido da mola de um colchão! … não sente assim como que uma corrente de ar?”

Do Butão, um reino budista situado nos Himalaias, surge-nos um conceito vanguardista que é hoje estudado nas sociedades ocidentais: a Felicidade Interna Bruta ou FIB. O rei Wangchuck, observando que os "países em vias de desenvolvimento" estavam todos centrados no crescimento económico, no comércio e no Produto Interno Bruto (PIB), alienando muitas vezes a cultura, a dignidade e a qualidade de vida, decidiu que a política do seu governo deveria contemplar também a felicidade dos cidadãos. Estabeleceu então 4 pilares governativos: (1) a promoção do desenvolvimento socio-económico equitativo e sustentável; (2) a preservação e promoção de valores culturais; (3) a conservação do ambiente natural; (4) o estabelecimento de um bom governo (começou por criar eleições livres). Este é um trabalho em curso que parte da interrogação de como as mudanças dos tempos - o desenvolver da informática, a diminuição da diversidade biológica e cultural e a rápida automatização social e económica - afectam as perspectivas de felicidade, assistindo-se ao isolamento e solidão cada vez maiores do indivíduo. Assim, o típico indicador de bem-estar - a capacidade de consumo - é limitado, face ao que é tão inovador e simultaneamente tão primitivo como isto: a procura da felicidade. No entanto isso reflecte a forma simplista e desleixada com que as sociedades pós-industriais abordaram o tema. Em 2004, uma conferência inicial sobre a FIB teve lugar no Butão, seguida por outra, no Canadá, em Junho de 2005. Foram examinadas as iniciativas bem sucedidas que no mundo inteiro tentam integrar o desenvolvimento económico sustentável e equitativo com a conservação do meio ambiente e a coesão social e cultural. O grande desafio da FIB é a exigência de um modelo alternativo de desenvolvimento. A grande linha estratégica: a cultura não é somente um factor indicativo de um padrão de desenvolvimento, é a orientação crítica que move todo o padrão de desenvolvimento colectivo.
"Dai-me um povo que acredita no amor e vereis a felicidade sobre a terra" (Gandhi).

“My Immortal” dos Evanescence soava melancólico mas forte:
# These wounds won't seem to heal, This pain is just too real, There's just too much that time cannot erase.#

“JULIETA - Adeus. Deus sabe quando nos veremos outra vez. Pelas veias me passeia um medo frio e lânguido, que quase deixa o calor da vida inteiriçado. Vou chamá-los de novo para darem-me coragem. Ama!... Mas, por que vir cá? Precisarei representar sozinha meu terrível papel. Vamos, frasquinho. E se esta droga não fizer efeito? Terei de me casar amanhã cedo? Não; isto o impedirá. Fica aqui perto.”

ACTO V
“ROMEU - Mas se, acaso só por curiosidade retornares para espiar o que fazer pretendo: pelo céu! quebrar-te-ei todas as juntas e encherei o faminto cemitério com partes de teu corpo. Meus intuitos a esta hora são selvagens, mais violentos e inexoráveis ainda do que o tigre faminto e o mar revolto.”

Pat Benatar abanava o soutien e puxava um rock bem batido :
# We are strong, no one can tell us were wrong, Searchin our hearts for so long, both of us knowing,
Love is a battlefield…#

O público delirava com o espectáculo e manifestava-se:
- Um senhor zarolho declamava:
“Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer.”
- Um bombeiro viúvo perguntava “Onde? Onde?”
- Uma velhota perguntava ao marido “achas que eles se casam no fim?”… ele “sei lá, mas o gato está com o cio.”
- Eusébio resmungava: “Em 1964 a Juventus oferecia-me 16.000 contos e mais 7.000 para comprar a carta de desvinculação. Disseram não e eu aceitei… em 9 anos não ganhei mais de 3.000 contos no Benfica. Isso é que era amor à camisola !!!”.
- Valentino Rossi, campeão mundial de motociclismo, berrava: “A minha é maiorrrr !!!”
- Um senhor grisalho e enfezado abria a gabardina e mostrava o sexo para a MIR. Ela sentiu um calor a invadi-la e pensou… “de repente fiquei com desejos de Bolas de Berlim… hummm”.

A tendência próxima será o aumento da força e importância do(s) mercado(s), sem que isso diminua o papel do Amor, mas antes o refine e o constitua num bem raro. A desagregação das estruturas familiares e o esfriar genérico de relações de qualquer tipo, irão tornar o cidadão numerado mas “incógnito”, um entre muitos entes corporeamente deambulantes por uma Terra fria. O bem raro, o Amor, continuará presente brilhando como uma laranja numa massa anónima. Uma entre muitas rosas terá um perfume verdadeiro. Continuará a existir o “Game of Love”, enganos e desenganos, espetadelas sádicas de um Cupido imortal, governos serão cada vez mais passíveis de influencias “horizontais”, a moeda forte será o bem raro.
A cada vez mais restrita minoria de possuidores do “dom” será desejada, mas também perseguida. Uma sociedade de esferas rolantes não se compadece com excepções etéreas mas corpóreas. Conotações e perseguições irão haver, tal como existiram ao longo da história por motivos distintos. Os “outa-site”, os raros, os loucos serão marginalizados, mas queridos e invejados. Tal como Nietzche dizia, “há sempre alguma loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura”.
O mercado por outro lado não poderá ignorar a força deste “bem natural”.
Quem detiver essa moeda dominará o Mundo… quem dela fizer “bom” uso libertar-se-á desse mesmo Mundo!

# O tema de Romeu e Julieta com coreografia do homónimo “West Side Story” dão cor e dinâmica nervosa a um romance em passos largos para a tragédia. #

A lenta evolução tende para o amor místico e divino. Êxtase supremo que os iluminados experimentarão, não romântico mas a mais tempestuosa das conquistas, a mais alta tensão de domínio sobre as forças biológicas, uma luta varonil contra a humanidade, onde se empenham todas as forças da vida. O misticismo activo, que renuncia para criar, irá absorver o activismo neurótico e sensual, enervante e doentio.
No limite da evolução humana, estará o amor divino. Cada homem irá aproximar-se consoante a sua capacidade de concepção e força. No caminho para a perfeição, cada um procurará embelezar e elevar ao máximo instintos e paixões. O humano elevar-se-á para o divino em sucessivas destilações que derrubam por baixo e reconstroem cada vez mais alto. Ascensão das paixões que faz parte da ascensão de toda a personalidade, de uma transfiguração do Eu. A forma não pode criar a substância, de que depende a felicidade e o futuro da raça.
Cada ser, desde o animal, ao homem inculto, ao génio, ao santo, amará de acordo com as qualidades e o grau de perfeição que tenha atingido. As suas funções – desde a mais simples nos seres inferiores, de multiplicar a espécie – enriquecem-se numa quantidade de novas tarefas, desenvolvem-se em amplitude de acções. A fêmea transforma-se em mulher, o macho em homem. A mulher transforma-se em anjo, o homem em santo.
Que novo espaço incomensurável darão à vida as mais altas paixões! Que subtileza e profundidade de sensações possuirá o homem futuro, que olhará com náusea as festas brutais dos sentidos nos dias de hoje! Que música será então a vida, fundida na harmonia do universo! A paixão desmaterializar-se-á até o super amor do santo, gozo real e altíssimo, fenómeno não assexual, mas super sexual, potenciado para o que está além da vida, no seio das forças cósmicas. Na solidão dos silêncios imensos, o santo ama, com a alma hipersensível estendida e aberta a todas as vibrações do infinito, num impulso impetuoso e frenético para a vida de todas as criaturas.

No palco, o épico “And You and I” dos YES em toda a sua magnificiência.
And you and I climb, crossing the shapes of the morning. And you and I reach over the sun for the river.
And you and I climb, clearer, towards the movement. And you and I called over valleys of endless seas.

Com os últimos acordes a assistência vai saindo… os VIP’s para a night, o povo de regresso às cavernas. Num palco apenas com uma ténue luz de presença, Julieta dedilhava ao piano acordes espaçados de “The Rose” de Bette Middler e sussurrava:
«Sê bem-vindo, punhal! Tua bainha é aqui. Repousa aí bem quieto e deixa-me morrer!».

Na plateia escura, a MIR sozinha deixava cair uma lágrima humana, enquanto os dedos indecisos tocavam no seu teclado … Format Mir:/q

(ooops… a cadela branca urinou no palco) …
Escuridão total…
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Awaken (XI - Comeu a Lambreta)
NOTA INTRODUTÓRIA
Este é o 11º e ultimo capítulo do Volume I de Awaken.
Os diversos episódios vão ser reescritos e as imagem redesenhadas para publicação em livro, mantendo-se no entanto as características principais de cada um.
Estão previstos 3 volumes, com um total de 33 imagens e respectivos textos.
Um pixel da imagem para todos e cada um dos que têm acompanhado o meu trabalho é insuficiente para agradecer a importância do estímulo que representam.
Aos que trabalham directamente comigo não tem forma de agradecer… eles estão em mim!
______________________________________________
Romeu e Julieta, a história do amor de dois jovens, é o título de uma tragédia de Shakespeare, uma obra imortal da literatura. Shakespeare combinou a perspectiva histórica com uma interpretação trágica dos conflitos humanos.
A peça de Shakespeare, estreada em 1595, obteve um sucesso enorme e foi impressa pela primeira vez, em 1597. Apesar da história ser fictícia, tal como é referido na peça, "uma tragédia engenhosamente imaginada", o tema desta tragédia estava já presente na literatura grega. Foi, no entanto, Luigi de Porto o primeiro a utilizar os nomes Romeu e Julieta. A história foi, ainda, livremente adaptada pelo italiano Matteo Bandello, em 1554, aparecendo traduzida, em 1559, por Pierre Boisteau de Launay, em Histoires Tragiques de François de Belleforest. Esta versão foi traduzida para inglês, em 1562, por Arthur Brooke, em Tragical History of Romeo and Juliet, fonte na qual de baseou Shakespeare.
Este tema foi também musicado por Gounod, para ópera, e por Tchaikovsky e Prokofiev para bailados. Quanto ao cinema, foram realizadas várias versões - George Cukor (1936), Franco Zeffirelli (1968) e Baz Luhrmann (1996).

PRÓLOGO
A versão Jetiana adoptou o título “Comeu a Lambreta”, uma tragédia representada em ópera-rock, multicultural e facetada, com estreia mundial num nobre teatro de uma capital europeia apinhado de VIP’s e povão.
A personagem principal da história, MIR, já bem desgastada pelas tentativas de entender a raça humana, seus padrões e seu destino, resolveu assistir “in loco” a essa peça que emulava um sentimento que o seu cérebro biomecânico, humano-binário, logico-espiritual tinha sérias dificuldades de “catalogar”. A explicação do inexplicável Amor levantava uma série de contradições no seu íntimo.
No seu chip de memória repassaram flashes fugidios mas intensos de tudo que a humanidade já abordara sobre o tema, factos conexos, derivações (i)lógicas e nem sempre ordenadas temporalmente.

# No palco Uli Jon Roth com Pegasus sinfónico abria o concerto #

ACTO I
“ROMEU - A seta de Cupido não cogita de bater nela. Sábia como Diana, a castidade é sua soberana. Do arco gentil do amor está amparada e, assim, da lenga-lenga apaixonada. Resistir pode a todos os assaltos dos olhares morteiros, não chegando nunca a cair-lhe no regaço a chuva de ouro que os próprios santos tem vencido. Oh! é rica em beleza, mais que bela, porque a beleza morrerá com ela.”

A voz de Joe Cocker troava em palco:
# You're everything I hoped for, You're everything I need, You are so beautiful to me… #

Amor, impulso fundamental da vida, força de coesão que rege o universo, potência divina de eterna reconstrução! Em todos os níveis do ser ele está presente em infinitas formas. O amor, como a dor, tem uma função fundamental de conservação, coesão e renovação, e faz parte integrante do funcionamento orgânico do universo; o impulso não se destrói, mas reforça-se e eleva-se; o desejo não se mata, mas guia-se para uma contínua elevação. Evolução de instintos, evolução de paixões, aperfeiçoamento constante da personalidade (teoria evolutiva do psiquismo).
Quando se fala de amor é inevitável falar do Cupido, esse ser alado de aparência infantil, com asas e lançando flechas directas aos corações dos transeuntes, para que se apaixonem perdidamente.
Para os gregos, o seu nome é Eros, o jovem filho de Ares, o deus da guerra, e de Afrodite, a deusa do amor e da beleza. É descrito como «o mais belo dos deuses» por despertar o amor nos mortais, com o seu arco e flechas.
Na Roma Antiga por seu lado, era conhecido como Cupido, tal como lhe chamamos hoje. Os romanos criam que Cupido era filho de Vénus, a deusa da beleza e do amor, e do mensageiro alado dos deuses, Mercúrio.
Diz a lenda que Cupido teve um grande amor, Psyché, e que se dedicou a unir os corações, por ele próprio ter tido grandes dificuldades em consumá-lo com a sua bela mortal.
Os gregos do período tinham três palavras diferentes para três tipos opostos de amor:
1 . Eros (erotismo). É o amor carnal, sexual. O desejo físico do outro exprime-se pela paixão amorosa, vivida, muitas vezes, na falta e no sofrimento.
2 . Philia (amizade). O amor carnal evolui para o amor ternura. Não é mais somente um instinto carnal. Ele dá-se. É alegre, expansivo, e também amizade.
3 . Ágape (caridade). É o amor dado sem procura de contrapartida. É bem por excelência. A fonte do Amor está em Deus(es).
O amor-eros não é uma virtude. “É uma questão de sentimento e não de vontade - diz Kant - e eu não posso amar porque eu o quero, menos ainda porque eu devo“; daí conclui que um dever de amar é um “contra-senso”. Efectivamente, «o amor não se comanda porque é ele quem comanda».
Assim, “a benevolência nasce da concupiscência pois o amor nasce do desejo, do qual não é mais que a sublimação alegre e satisfeita. Este amor é uma virtude; querer o bem do outro é o próprio bem”.
É “o ideal da santidade”, sublinha Kant. Ele guia-nos e ilumina-nos. É uma virtude pois é uma excelência. E, milagre, “o amor que realiza a moral liberta-nos dela”. “Ama e faz o que quiseres”, dizia Santo Agostinho.

“ROMEU - Coisa terna julgais que seja o amor? Não; muito dura: dura e brutal, e fere como espinho.”

Os Nazareth reviviam “Love Hurts”:
# I know it isn’t true, Love is just a lie, Made to make you blue. Love hurts, ooh, ooh love hurts… #

PRÓLOGO
Annie Lennox abria rasgando com “Sweet Dreams” e continuando com “A Whiter Shade of Pale”:
“Sweet dreams are made of these, Who am i to disagree? Travel the world and the seven seas, everybody's looking for something…”
“Skipped a light fandango, Turned cartwheels across the floor , I was feelin' kind of seasick, The crowd called out of more. And the room was howling harder…”

ACTO II
“JULIETA - Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.
ROMEU - Oh! que noite abençoada! Tenho medo, de um sonho, lisonjeiro em demasia para ser realidade.”

Eric Clapton com “Wonderful tonight” encantava a plateia:
# It's late in the evening; she's wondering what clothes to wear. She puts on her make-up and brushes her long blonde hair. And then she asks me, "Do I look all right?" And I say, "Yes, you look wonderful tonight." #

Filosofia, Ciência e Religião já abordaram o tema AMOR e a evolução do “bem” sobre diversos prismas.
- Filósofos como Lao Tseu, Plotin, Santo Agostinho, colocaram o êxtase no centro da sua inspiração.
- A filosofia espiritualista de Kant, Hegel ou Augusto Comte, abordou o conceito de forma distinta.
- Platão, Aristóteles, Epicuro defenderam que se o homem deseja atingir o “soberano bem” - sinónimo de ataraxia, de beatismo, de êxtase por extensão – também se trata dum objectivo da humanidade.
- A Ciência Etológica, a Física Quântica, Darwinismo, apresentaram já teorias.
- Judaísmo, Cristianismo e Islamismo com as suas teleologias positivistas e conceitos de apocalipse, têm visões próprias do amor e do destino humano.
- As espiritualidades Asiáticas centraram a sua busca no despertar do homem para o êxtase, o nirvana.
Será que existe já um consenso, ou alguém conseguiu desvendar, justificar ou definir o “mistério” do Amor?

[Preparação de Pudim Romeu e Julieta: Bater no liquidificador o leite condensado, creme de leite, queijo branco, queijo ralado e a gelatina sem sabor. Colocar em forma de pudim ou uma de sua preferência e levar a geladeira. Dissolver a goiabada com água em fogo brando, deixe esfriar … bzzzz… bip, bip… chip errado.]

Como explicar Romeu e Julieta, Fausto e Gretchen, Dante e Beatriz? Apenas sentimos o inevitável da razão, mas há também tanto de coração que a razão nada explica na totalidade. Não existem palavras e/ou elas não formam frases. Seria preciso uma nova língua? Não são o silêncio e a compreensão uma linguagem universal?
Quem não entende o motivo do poeta quando desce ao inferno para resgatar Beatriz? Quem lê Goethe e não consegue entender a redenção de Fausto em Gretchen? Quantos sabem, no entanto, colocar isso em palavras? A própria necessidade de buscar o sentido, a beleza e complexidade dessas obras torna-as imortais.
Os grandes poetas não perderam tempo tentando explicar, mas em compreender, mostrar as acções dos personagens. Há dificuldade em transpor as palavras, em acreditar no não-dito, crer nos factos e ignorar as premissas, dar explicações, mas é tudo tão natural que as próprias representações falam por si, são exemplos, são mitologias. São arquétipos e como tal falam ao interior antes de falar à razão.

“JULIETA - Se esse amoroso pendor for sério e honesto, amanhã cedo me envia uma palavra pelo próprio que eu te mandar: em que lugar e quando pretendes realizar a cerimónia, que a teus pés deporei minha ventura, para seguir-te pelo mundo todo como a senhor e esposo.
AMA (dentro) - Senhorita!
JULIETA - Já vou! Já vou! - Porém se não for puro teu pensamento, peço-te...
AMA (dentro) - Menina!
JULIETA - Já vou! Neste momento! - ... que não sigas com tuas insistências e me deixes entregue à minha dor. Amanhã cedo te mandarei recado por um próprio.”

O som inconfundível dos Queen…
# Love of my life, you hurt me, You broken my heart, now you leave me…#
Uma teen de coração partido suspirava “o Amor é como um jardim… logo vem uma vaca e f… tudo”

ACTO III
O génio de Zappa a abrir este Acto
# Honey honey, hey… Baby don’t you want a man like me? He was the playboy type (he smoke a pipe)
His favourite phrase was "outa-site!" He had an irish setter… #

“JULIETA - Vilão e ele estejam separados por milhares de léguas. - Que perdoado seja por Deus, como por mim já o foi. Contudo, homem nenhum tanto, como ele, me oprime o coração.”

A globalização é uma tendência irreversível mas também uma passagem obrigatória da humanidade, responsável pela ascensão do nacional para o universal. Nenhuma religião e nenhuma ideologia seriam capazes de reunir o mundo através de um sistema único e conveniente a todos. Mas Bill Gates e a Microsoft estão conseguindo…
A globalização pelo mercado não é outra coisa senão um dos instrumentos para a paz universal que vai surgir, preparando a fusão das ideologias e das espiritualidades, ao centro duma quintessência comum e universal.
No entanto, esse domínio da globalização pelo sistema começa a ser um verdadeiro problema… o seu preço: o mercantilismo sistemático de todas as áreas da sociedade, incluindo a área humana e a sua espiritualidade.
Quando o mercado domina a área espiritual desvia o homem da reflexão, inundando o corpo e a alma humana de noções materiais e reduzindo o homem ao simples estado de consumidor e de mercadoria.
Quando o mercado domina a área militar, transforma a arma num artigo de consumo e espalha-a por todo o planeta com as consequências que já conhecemos, influenciando guerras para a sua própria expansão.
Quando o mercado domina a ecologia, injecta a tempo dinheiro suficiente para a pesquisa sobre energias limpas, obrigando constantemente a humanidade a reparar os seus danos.
Quando o mercado domina a política alcança ainda mais áreas da sociedade. É por isso que os mídias ficaram dependentes dele, com todas as aberrações que nisso vemos.

O chip da MIR fervia: [Paraíso »»» “Um Amor e uma Cabana” »»» “A Cabana do Pai Tomás” »»» Ku Klux Klan »»» Branco e Negro »»» Yin Yang »»» Harmonia … bzzzz… bip…bip]

Quando o mercado está acima da educação, orienta pouco a pouco o ensino para as únicas disciplinas utilitárias e mercantis – conceber, fabricar e vender – em detrimento das disciplinas intelectuais, artísticas e espirituais.
Quando o mercado domina a cultura, reduz rapidamente a diversidade e a qualidade dela para diminuir os custos de produção e aumentar os seus benefícios. Nos mídias de massa, apenas alguns artistas escolhidos compõem a área cultural, encolhendo o espaço intelectual do povo, a sua consciência e espírito crítico.
Quando o mercado domina os mídias, abafa a missão do jornalismo, transformando-o num simples meio de propaganda e de publicidade. A televisão e a imprensa passam a ser apenas uma montra de produtos para comprar. Aniquila os debates sérios e críticos, as emissões culturais e a visão verdadeira do mundo.
Quando o mercado está acima do povo, em vez de querer o seu bem procura a sua impulsividade e a sua dependência, estimulando as fraquezas, as tendências, e as perversões. Este problema permanecerá até que o mercado fique totalmente sob controlo e reencontre o seu lugar legítimo dentro da sociedade, ou seja: o último lugar na influência da humanidade.

Weird Al Yankovic delirava o público com a sua versão de “Like a Virgin” da Madonna…
“Like a virgin, Touched for the very first time, Like a virgin, When your heart beats (after first time, with your heartbeat), Next to mine…”
Ana Dias resmungava… “fds, já lixaram a música toda… vou mas é comprar pipocas”. Ao seu lado, o Ministro das Inaugurações rebolava a sua barriguinha anafada, libertava-se de frustrações de infância e pedia… “pode-me trazer um Ferrero Rocher?”

ACTO IV
Janis Joplin, Jim Morrison, Cassia Eller e Jimmy Hendrix numa Woodstockiana interpretação de “Cry Baby”:
# And if you ever feel a little lonely, dear, I want you to come on, come on to your mama now, And if you ever want a little love of a woman, Come on and baby baby baby babe babe baby now, Cry baby yeah. #

“JULIETA - Oh! fecha a porta logo! E, após a teres fechado, vem também chorar comigo. Já não há esperança, nem remédio, não há socorro algum.”

Ao lado da MIR, o galã Clark Gable tentava meter conversa com as suas frases irresistíveis… “O amor não é um gemido plangente de um violino distante... É o triunfante zunido da mola de um colchão! … não sente assim como que uma corrente de ar?”

Do Butão, um reino budista situado nos Himalaias, surge-nos um conceito vanguardista que é hoje estudado nas sociedades ocidentais: a Felicidade Interna Bruta ou FIB. O rei Wangchuck, observando que os "países em vias de desenvolvimento" estavam todos centrados no crescimento económico, no comércio e no Produto Interno Bruto (PIB), alienando muitas vezes a cultura, a dignidade e a qualidade de vida, decidiu que a política do seu governo deveria contemplar também a felicidade dos cidadãos. Estabeleceu então 4 pilares governativos: (1) a promoção do desenvolvimento socio-económico equitativo e sustentável; (2) a preservação e promoção de valores culturais; (3) a conservação do ambiente natural; (4) o estabelecimento de um bom governo (começou por criar eleições livres). Este é um trabalho em curso que parte da interrogação de como as mudanças dos tempos - o desenvolver da informática, a diminuição da diversidade biológica e cultural e a rápida automatização social e económica - afectam as perspectivas de felicidade, assistindo-se ao isolamento e solidão cada vez maiores do indivíduo. Assim, o típico indicador de bem-estar - a capacidade de consumo - é limitado, face ao que é tão inovador e simultaneamente tão primitivo como isto: a procura da felicidade. No entanto isso reflecte a forma simplista e desleixada com que as sociedades pós-industriais abordaram o tema. Em 2004, uma conferência inicial sobre a FIB teve lugar no Butão, seguida por outra, no Canadá, em Junho de 2005. Foram examinadas as iniciativas bem sucedidas que no mundo inteiro tentam integrar o desenvolvimento económico sustentável e equitativo com a conservação do meio ambiente e a coesão social e cultural. O grande desafio da FIB é a exigência de um modelo alternativo de desenvolvimento. A grande linha estratégica: a cultura não é somente um factor indicativo de um padrão de desenvolvimento, é a orientação crítica que move todo o padrão de desenvolvimento colectivo.
"Dai-me um povo que acredita no amor e vereis a felicidade sobre a terra" (Gandhi).

“My Immortal” dos Evanescence soava melancólico mas forte:
# These wounds won't seem to heal, This pain is just too real, There's just too much that time cannot erase.#

“JULIETA - Adeus. Deus sabe quando nos veremos outra vez. Pelas veias me passeia um medo frio e lânguido, que quase deixa o calor da vida inteiriçado. Vou chamá-los de novo para darem-me coragem. Ama!... Mas, por que vir cá? Precisarei representar sozinha meu terrível papel. Vamos, frasquinho. E se esta droga não fizer efeito? Terei de me casar amanhã cedo? Não; isto o impedirá. Fica aqui perto.”

ACTO V
“ROMEU - Mas se, acaso só por curiosidade retornares para espiar o que fazer pretendo: pelo céu! quebrar-te-ei todas as juntas e encherei o faminto cemitério com partes de teu corpo. Meus intuitos a esta hora são selvagens, mais violentos e inexoráveis ainda do que o tigre faminto e o mar revolto.”

Pat Benatar abanava o soutien e puxava um rock bem batido :
# We are strong, no one can tell us were wrong, Searchin our hearts for so long, both of us knowing,
Love is a battlefield…#

O público delirava com o espectáculo e manifestava-se:
- Um senhor zarolho declamava:
“Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer.”
- Um bombeiro viúvo perguntava “Onde? Onde?”
- Uma velhota perguntava ao marido “achas que eles se casam no fim?”… ele “sei lá, mas o gato está com o cio.”
- Eusébio resmungava: “Em 1964 a Juventus oferecia-me 16.000 contos e mais 7.000 para comprar a carta de desvinculação. Disseram não e eu aceitei… em 9 anos não ganhei mais de 3.000 contos no Benfica. Isso é que era amor à camisola !!!”.
- Valentino Rossi, campeão mundial de motociclismo, berrava: “A minha é maiorrrr !!!”
- Um senhor grisalho e enfezado abria a gabardina e mostrava o sexo para a MIR. Ela sentiu um calor a invadi-la e pensou… “de repente fiquei com desejos de Bolas de Berlim… hummm”.

A tendência próxima será o aumento da força e importância do(s) mercado(s), sem que isso diminua o papel do Amor, mas antes o refine e o constitua num bem raro. A desagregação das estruturas familiares e o esfriar genérico de relações de qualquer tipo, irão tornar o cidadão numerado mas “incógnito”, um entre muitos entes corporeamente deambulantes por uma Terra fria. O bem raro, o Amor, continuará presente brilhando como uma laranja numa massa anónima. Uma entre muitas rosas terá um perfume verdadeiro. Continuará a existir o “Game of Love”, enganos e desenganos, espetadelas sádicas de um Cupido imortal, governos serão cada vez mais passíveis de influencias “horizontais”, a moeda forte será o bem raro.
A cada vez mais restrita minoria de possuidores do “dom” será desejada, mas também perseguida. Uma sociedade de esferas rolantes não se compadece com excepções etéreas mas corpóreas. Conotações e perseguições irão haver, tal como existiram ao longo da história por motivos distintos. Os “outa-site”, os raros, os loucos serão marginalizados, mas queridos e invejados. Tal como Nietzche dizia, “há sempre alguma loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura”.
O mercado por outro lado não poderá ignorar a força deste “bem natural”.
Quem detiver essa moeda dominará o Mundo… quem dela fizer “bom” uso libertar-se-á desse mesmo Mundo!

# O tema de Romeu e Julieta com coreografia do homónimo “West Side Story” dão cor e dinâmica nervosa a um romance em passos largos para a tragédia. #

A lenta evolução tende para o amor místico e divino. Êxtase supremo que os iluminados experimentarão, não romântico mas a mais tempestuosa das conquistas, a mais alta tensão de domínio sobre as forças biológicas, uma luta varonil contra a humanidade, onde se empenham todas as forças da vida. O misticismo activo, que renuncia para criar, irá absorver o activismo neurótico e sensual, enervante e doentio.
No limite da evolução humana, estará o amor divino. Cada homem irá aproximar-se consoante a sua capacidade de concepção e força. No caminho para a perfeição, cada um procurará embelezar e elevar ao máximo instintos e paixões. O humano elevar-se-á para o divino em sucessivas destilações que derrubam por baixo e reconstroem cada vez mais alto. Ascensão das paixões que faz parte da ascensão de toda a personalidade, de uma transfiguração do Eu. A forma não pode criar a substância, de que depende a felicidade e o futuro da raça.
Cada ser, desde o animal, ao homem inculto, ao génio, ao santo, amará de acordo com as qualidades e o grau de perfeição que tenha atingido. As suas funções – desde a mais simples nos seres inferiores, de multiplicar a espécie – enriquecem-se numa quantidade de novas tarefas, desenvolvem-se em amplitude de acções. A fêmea transforma-se em mulher, o macho em homem. A mulher transforma-se em anjo, o homem em santo.
Que novo espaço incomensurável darão à vida as mais altas paixões! Que subtileza e profundidade de sensações possuirá o homem futuro, que olhará com náusea as festas brutais dos sentidos nos dias de hoje! Que música será então a vida, fundida na harmonia do universo! A paixão desmaterializar-se-á até o super amor do santo, gozo real e altíssimo, fenómeno não assexual, mas super sexual, potenciado para o que está além da vida, no seio das forças cósmicas. Na solidão dos silêncios imensos, o santo ama, com a alma hipersensível estendida e aberta a todas as vibrações do infinito, num impulso impetuoso e frenético para a vida de todas as criaturas.

No palco, o épico “And You and I” dos YES em toda a sua magnificiência.
And you and I climb, crossing the shapes of the morning. And you and I reach over the sun for the river.
And you and I climb, clearer, towards the movement. And you and I called over valleys of endless seas.

Com os últimos acordes a assistência vai saindo… os VIP’s para a night, o povo de regresso às cavernas. Num palco apenas com uma ténue luz de presença, Julieta dedilhava ao piano acordes espaçados de “The Rose” de Bette Middler e sussurrava:
«Sê bem-vindo, punhal! Tua bainha é aqui. Repousa aí bem quieto e deixa-me morrer!».

Na plateia escura, a MIR sozinha deixava cair uma lágrima humana, enquanto os dedos indecisos tocavam no seu teclado … Format Mir:/q

(ooops… a cadela branca urinou no palco) …
Escuridão total…
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