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Barcos de Arte Xávega tradicional (P.F. Abra a ima

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Fotojornalismo

2017-06-12 13:10:48
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A Arte Xávega tradicional praticada nos tempos antigos, até às décadas de 60 e 70 do século XX, apresentava algumas diferenças em relação à que atualmente ainda se pratica nas praias de Mira ou da Tocha, no Litoral Gandarez, bem como em alguns outros pontos da costa portuguesa onde ainda sobrevive. É essa antiga Arte Xávega que vou tentar apresentar ao leitor de forma resumida.
Nesses tempos remotos, os barcos eram bastante maiores do que agora (com o dobro, o triplo ou até mesmo o quádruplo do tamanho), para acomodarem tripulações numerosas de 15 a 50 homens durante as idas ao mar, sendo que a maior parte deles eram remadores que manuseavam os pesados remos da embarcação. Cada barco tinha um ou dois pares de grandes remos, que podiam necessitar de 4 a 10 remadores cada.
Para puxar ou empurrar estes pesados barcos do/para o mar, usavam-se carris móveis improvisados de madeira e troncos, sobre os quais as embarcações eram roladas na praia.
Se no mar o esforço braçal físico exigido aos pescadores era hercúleo, as tarefas pesadas a efetuar no areal da praia também não ficavam atrás. Por isso, em muitas localidades costeiras, as "Companhas" de pescadores passaram a usar várias juntas de bois/vacas para efetuar os trabalhos mais pesados em terra, como puxar as redes e colocar/recolher o barco no/do mar. Assim aconteceu na Praia de Mira (ou Palheiros de Mira), onde estas juntas de bois/vacas se tornaram bastante comuns.
Contudo, na Praia da Tocha (ou Palheiros da Tocha) não se adotou o uso de juntas de bois/vacas nas tarefas da Arte Xávega, embora as carroças puxadas por gado bovino fossem utilizadas no transporte de materiais entre a praia e as localidades mais próximas. Quais as principais razões para isto? Confesso que não sei!
Mas penso que poderá ter a ver com razões de ordem logística. A Praia da Tocha dos tempos antigos era um lugar bastante isolado e de difícil acesso por caminhos arenosos no meio das dunas, que ficava a vários quilómetros de distância dos campos agrícolas e pastagens razoáveis mais próximas. Neste contexto, manter e alimentar em permanência várias juntas de bois/vacas na Praia da Tocha seria bastante difícil em termos logísticos. Ao contrário, na Praia de Mira, existiam campos agrícolas a poucas centenas de metros do areal, onde se podiam pastar bois e vacas ou cultivar plantas forrageiras.
Voltando à Praia da Tocha, e considerando o elevado esforço físico necessário para efetuar as tarefas da Arte Xávega, resultava que muitas vezes o número de homens da "Companha" era insuficiente para o trabalho necessário.
Por isso desenvolveu-se um sistema de "quinhão" na Praia da Tocha, em que qualquer "não-pescador" interessado em ajudar a puxar as redes (e outras tarefas), podia dar o seu nome (que era registado num papel), trabalhava juntamente com os pescadores e no fim recebia um pequeno "quinhão" variável de peixe, que dependia da quantidade pescada nessa ida ao mar.
exif / informação técnica
Máquina: NIKON CORPORATION
Modelo: NIKON D3300
Exposição: 1/500 sec
Exposição (EV+/-): 0 step
Abertura: f/11
ISO: 200
Dist.Focal: 62mm
Dist.Focal (35mm): 93 mm
Software: Ver.1.00

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A Arte Xávega tradicional praticada nos tempos antigos, até às décadas de 60 e 70 do século XX, apresentava algumas diferenças em relação à que atualmente ainda se pratica nas praias de Mira ou da Tocha, no Litoral Gandarez, bem como em alguns outros pontos da costa portuguesa onde ainda sobrevive. É essa antiga Arte Xávega que vou tentar apresentar ao leitor de forma resumida.
Nesses tempos remotos, os barcos eram bastante maiores do que agora (com o dobro, o triplo ou até mesmo o quádruplo do tamanho), para acomodarem tripulações numerosas de 15 a 50 homens durante as idas ao mar, sendo que a maior parte deles eram remadores que manuseavam os pesados remos da embarcação. Cada barco tinha um ou dois pares de grandes remos, que podiam necessitar de 4 a 10 remadores cada.
Para puxar ou empurrar estes pesados barcos do/para o mar, usavam-se carris móveis improvisados de madeira e troncos, sobre os quais as embarcações eram roladas na praia.
Se no mar o esforço braçal físico exigido aos pescadores era hercúleo, as tarefas pesadas a efetuar no areal da praia também não ficavam atrás. Por isso, em muitas localidades costeiras, as "Companhas" de pescadores passaram a usar várias juntas de bois/vacas para efetuar os trabalhos mais pesados em terra, como puxar as redes e colocar/recolher o barco no/do mar. Assim aconteceu na Praia de Mira (ou Palheiros de Mira), onde estas juntas de bois/vacas se tornaram bastante comuns.
Contudo, na Praia da Tocha (ou Palheiros da Tocha) não se adotou o uso de juntas de bois/vacas nas tarefas da Arte Xávega, embora as carroças puxadas por gado bovino fossem utilizadas no transporte de materiais entre a praia e as localidades mais próximas. Quais as principais razões para isto? Confesso que não sei!
Mas penso que poderá ter a ver com razões de ordem logística. A Praia da Tocha dos tempos antigos era um lugar bastante isolado e de difícil acesso por caminhos arenosos no meio das dunas, que ficava a vários quilómetros de distância dos campos agrícolas e pastagens razoáveis mais próximas. Neste contexto, manter e alimentar em permanência várias juntas de bois/vacas na Praia da Tocha seria bastante difícil em termos logísticos. Ao contrário, na Praia de Mira, existiam campos agrícolas a poucas centenas de metros do areal, onde se podiam pastar bois e vacas ou cultivar plantas forrageiras.
Voltando à Praia da Tocha, e considerando o elevado esforço físico necessário para efetuar as tarefas da Arte Xávega, resultava que muitas vezes o número de homens da "Companha" era insuficiente para o trabalho necessário.
Por isso desenvolveu-se um sistema de "quinhão" na Praia da Tocha, em que qualquer "não-pescador" interessado em ajudar a puxar as redes (e outras tarefas), podia dar o seu nome (que era registado num papel), trabalhava juntamente com os pescadores e no fim recebia um pequeno "quinhão" variável de peixe, que dependia da quantidade pescada nessa ida ao mar.
Tag’s: Ovar,Tocha,Aveiro,S.Jacinto
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Máquina: NIKON CORPORATION
Modelo: NIKON D3300
Exposição: 1/500 sec
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Dist.Focal: 62mm
Dist.Focal (35mm): 93 mm
Software: Ver.1.00


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