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Campa do Preto (Ler P.F.)

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Outros

2017-06-05 12:10:52
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comentários (93) galardões descrição exif favorita de (92)
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Se puderem leiam esta lenda até ao fim, vale a pena!!!

Uma lenda antiga reside nos confins da história da Maia, cidade do Norte de Portugal. Poucos são capazes de descrever o que ali sucedeu, contudo, muito venerado é o lugar da Campa do Preto.

"Um preto de pura alma cujo nome se perdeu servia uma casa de um fidalgote que o tempo e a lenda empurraram para o anonimato"
No ano de 1790 existia um belo solar em Guilhabreu, em Vila do Conde e, segundo os historiadores, possivelmente habitado por Gonçalo Mendes, o lidador da Maia. O fidalgo, apesar de ser reconhecida a sua aparência bem tratada, não deixava escapar as suas maneiras pouco nobres, muitíssimo provincianas na pior da formas.
Conta a história que num resplandecente dia de sol, o dito fidalgo consegue arrastar até à sua mansão uma aldeã, também ela reconhecida pela sua delicadeza e exuberante beleza. Porém, as intenções do fidalgo não eram as mais ortodoxas, ao que a rapariga, apesar de iletrada e pouco culta, recusou, repudiou e fugiu o mais que pôde, entrando na vasta seara que ali existia.
Contudo, conta a lenda que o fidalgo não terá gostado da forma como fora tratado pela plebeia. Manda juntar os seus escravos, ordenando a um deles que incendiassem toda a seara, depois, foi-lhes ordenado que se colocassem de sentinela em cada uma das saídas da seara, para que não restasse qualquer saída à rapariga e morresse, então, queimada.
Uma vez mais a lenda toma lugar da história, referindo que aqui começa a desobediência de um dos escravos negros: apaga o seu archote, para que no lado em que ele estava posicionado a seara demorasse mais a incendiar. Terá sido, então, por aí que a rapariga terá fugido, para mal do escravo, sem que este tentasse sequer impedi-la de fugir.
Se até aqui o fidalgo estaria vexado e irado, ao ter conhecimento da desobediência do escravo, terá ficado absolutamente fora de si. Chamando-o, apenas disse:

"Sela o meu cavalo, vou à festa da Senhora da Hora. E tu vais-me acompanhar"

Para grande espanto dos presentes, o fidalgo monta o seu belíssimo cavalo e lança uma forte corda ao pescoço do escravo.
Noutros tempos, há séculos atrás, a entrada para a Senhora da Hora fazia-se por Gemunde, um caminho particularmente agreste para quem o faz atado pelo pescoço a um poderoso cavalo. Efetivamente, se no início o honrado escravo acompanhou o cavalo, correndo o mais que pôde, não tardou a perder todas as suas forças, sendo fustigado por todas as pedras e rochedos do caminho.
O fidalgo atiçava cada vez mais o forte cavalo, pelo que, o já morto escravo foi deixando em cada metro do caminho partes do seu corpo já dilacerado.
O povo do lugar, por sua vez, mostrou a sua fúria contra o fidalgo assassino, recolhendo com grande veneração cada parte do corpo do "Santo Preto".
Encontraram a cabeça em Gemunde ao que, apercebendo-se que o corpo estaria completo, erigiram-lhe uma campa com grande veneração: a Campa do Preto.
O Lugar da Campa do Preto é hoje o símbolo dos tempos antigos, onde o senhor tinha o poder da vida dos seus escravos. Ali, dizem os habitantes locais, jaz o corpo de um Preto martirizado, o corpo de Santo Preto.
Curiosamente, nunca foi atribuída pela Igreja Católica nenhum reconhecimento a este bondoso homem, o Preto. De facto, todos os anos é realizada uma Festa em honra do “Santo Preto”, estritamente popular e sem presença institucional da igreja: sem missa, procissão ou pároco presente.

Milagre?

Á parte a lenda, um facto incontornável foi aquilo que sucedeu durante a Guerra Colonial. Desde o século XVIII a Campa do Preto é local de veneração para todos aqueles em grande aflição, nomeadamente pescadores de Matosinhos, ou todas as pessoas que vivem em grande aflição.
Atribui-se, então, a este Santo renegado pela Igreja, o verdadeiro milagre de na Guerra Colonial não ter morrido um só homem, um só jovem desta terra de Gemunde, ao contrário daquilo que aconteceu nas terras vizinhas.

Discórdia com a Igreja

Este culto sempre foi apontado pela Igreja como algo pagão. Decorria o ano de 1841 e tentou-se pôr um ponto final a esta “religião”. Uma das tentativas foi quando o “Prelado Diocesano” fez uma exortação pastoral sobre o tema, com o intuito de alertar os fiéis devotos do “Santo Preto”. Efetivamente, estiveram envolvidos o Administrador Geral do Distrito, juntamente com as Forças da Infantaria e Cavalaria, saídos do Porto tendo cercado o local de culto, procedendo ao
“Exame de Averiguação (…) dos fundamentos que havia para a crença dos povos d’aquella e das vizinhas freguesias, que veneravam ali a existência dos despojos mortais de hum homem de cor preta que por tradição se diz foram sepultados naquele sítio”.
Começou-se a escavação do local. Nem um só vestígio de cadáver foi apontado pelas autoridades. Perante isto, a campa foi brutalmente arrasada, revolvida e remexida. Contudo, trinta anos depois, em 1871, uma Confraria clandestina apontou como certo a existência das ossadas do Santo homem ali perto, a poucos metros de distância. Contrariando toda a vontade da Santa Igreja, o culto voltou em força, sendo-lhe atribuídos vários milagres desde então, incluindo também aquele da Guerra Colonial.
Já na atualidade, a população local considera mais uma afronta da Igreja o facto de um pároco ter excomungado as bandas de musicais que tocavam na Festa da Campa do Preto.
Não se registaram mais lutas ou braços de ferro com a Igreja. Ou tolera, ou simplesmente desistiu do monopólio das santidades.


exif / informação técnica
Máquina: General Imaging Co.
Modelo: E1035
Exposição: 1/169 sec
Exposição (EV+/-): 0 step
Abertura: f/5.7
ISO: 64
Dist.Focal: 7.5mm
Dist.Focal (35mm):
Software: Version Ver 1.13

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Campa do Preto (Ler P.F.)
Se puderem leiam esta lenda até ao fim, vale a pena!!!

Uma lenda antiga reside nos confins da história da Maia, cidade do Norte de Portugal. Poucos são capazes de descrever o que ali sucedeu, contudo, muito venerado é o lugar da Campa do Preto.

"Um preto de pura alma cujo nome se perdeu servia uma casa de um fidalgote que o tempo e a lenda empurraram para o anonimato"
No ano de 1790 existia um belo solar em Guilhabreu, em Vila do Conde e, segundo os historiadores, possivelmente habitado por Gonçalo Mendes, o lidador da Maia. O fidalgo, apesar de ser reconhecida a sua aparência bem tratada, não deixava escapar as suas maneiras pouco nobres, muitíssimo provincianas na pior da formas.
Conta a história que num resplandecente dia de sol, o dito fidalgo consegue arrastar até à sua mansão uma aldeã, também ela reconhecida pela sua delicadeza e exuberante beleza. Porém, as intenções do fidalgo não eram as mais ortodoxas, ao que a rapariga, apesar de iletrada e pouco culta, recusou, repudiou e fugiu o mais que pôde, entrando na vasta seara que ali existia.
Contudo, conta a lenda que o fidalgo não terá gostado da forma como fora tratado pela plebeia. Manda juntar os seus escravos, ordenando a um deles que incendiassem toda a seara, depois, foi-lhes ordenado que se colocassem de sentinela em cada uma das saídas da seara, para que não restasse qualquer saída à rapariga e morresse, então, queimada.
Uma vez mais a lenda toma lugar da história, referindo que aqui começa a desobediência de um dos escravos negros: apaga o seu archote, para que no lado em que ele estava posicionado a seara demorasse mais a incendiar. Terá sido, então, por aí que a rapariga terá fugido, para mal do escravo, sem que este tentasse sequer impedi-la de fugir.
Se até aqui o fidalgo estaria vexado e irado, ao ter conhecimento da desobediência do escravo, terá ficado absolutamente fora de si. Chamando-o, apenas disse:

"Sela o meu cavalo, vou à festa da Senhora da Hora. E tu vais-me acompanhar"

Para grande espanto dos presentes, o fidalgo monta o seu belíssimo cavalo e lança uma forte corda ao pescoço do escravo.
Noutros tempos, há séculos atrás, a entrada para a Senhora da Hora fazia-se por Gemunde, um caminho particularmente agreste para quem o faz atado pelo pescoço a um poderoso cavalo. Efetivamente, se no início o honrado escravo acompanhou o cavalo, correndo o mais que pôde, não tardou a perder todas as suas forças, sendo fustigado por todas as pedras e rochedos do caminho.
O fidalgo atiçava cada vez mais o forte cavalo, pelo que, o já morto escravo foi deixando em cada metro do caminho partes do seu corpo já dilacerado.
O povo do lugar, por sua vez, mostrou a sua fúria contra o fidalgo assassino, recolhendo com grande veneração cada parte do corpo do "Santo Preto".
Encontraram a cabeça em Gemunde ao que, apercebendo-se que o corpo estaria completo, erigiram-lhe uma campa com grande veneração: a Campa do Preto.
O Lugar da Campa do Preto é hoje o símbolo dos tempos antigos, onde o senhor tinha o poder da vida dos seus escravos. Ali, dizem os habitantes locais, jaz o corpo de um Preto martirizado, o corpo de Santo Preto.
Curiosamente, nunca foi atribuída pela Igreja Católica nenhum reconhecimento a este bondoso homem, o Preto. De facto, todos os anos é realizada uma Festa em honra do “Santo Preto”, estritamente popular e sem presença institucional da igreja: sem missa, procissão ou pároco presente.

Milagre?

Á parte a lenda, um facto incontornável foi aquilo que sucedeu durante a Guerra Colonial. Desde o século XVIII a Campa do Preto é local de veneração para todos aqueles em grande aflição, nomeadamente pescadores de Matosinhos, ou todas as pessoas que vivem em grande aflição.
Atribui-se, então, a este Santo renegado pela Igreja, o verdadeiro milagre de na Guerra Colonial não ter morrido um só homem, um só jovem desta terra de Gemunde, ao contrário daquilo que aconteceu nas terras vizinhas.

Discórdia com a Igreja

Este culto sempre foi apontado pela Igreja como algo pagão. Decorria o ano de 1841 e tentou-se pôr um ponto final a esta “religião”. Uma das tentativas foi quando o “Prelado Diocesano” fez uma exortação pastoral sobre o tema, com o intuito de alertar os fiéis devotos do “Santo Preto”. Efetivamente, estiveram envolvidos o Administrador Geral do Distrito, juntamente com as Forças da Infantaria e Cavalaria, saídos do Porto tendo cercado o local de culto, procedendo ao
“Exame de Averiguação (…) dos fundamentos que havia para a crença dos povos d’aquella e das vizinhas freguesias, que veneravam ali a existência dos despojos mortais de hum homem de cor preta que por tradição se diz foram sepultados naquele sítio”.
Começou-se a escavação do local. Nem um só vestígio de cadáver foi apontado pelas autoridades. Perante isto, a campa foi brutalmente arrasada, revolvida e remexida. Contudo, trinta anos depois, em 1871, uma Confraria clandestina apontou como certo a existência das ossadas do Santo homem ali perto, a poucos metros de distância. Contrariando toda a vontade da Santa Igreja, o culto voltou em força, sendo-lhe atribuídos vários milagres desde então, incluindo também aquele da Guerra Colonial.
Já na atualidade, a população local considera mais uma afronta da Igreja o facto de um pároco ter excomungado as bandas de musicais que tocavam na Festa da Campa do Preto.
Não se registaram mais lutas ou braços de ferro com a Igreja. Ou tolera, ou simplesmente desistiu do monopólio das santidades.


Tag’s: Maia,Gemunde,Castelo da Maia,Moreira da Maia
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Modelo: E1035
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Abertura: f/5.7
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