Cantos e encantos urbanos

Cantos e encantos urbanos

Autor(a) Nelson González Leal

Upload 2009-12-16 17:25

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Resumo

Brasilia tem encantos particulares e alguns deles se revelam em seus rincões, em seus becos, onde confluem muitas vezes distintas manifestações urbanas.

A Brasilia a caracteriza a relação de rebeldia que boa parte de seus habitantes mantém com a imagem da “cidade utópica”. Estes habitantes são os mais jovens, as primeiras gerações de brasilienses -não esqueçamos que Brasilia tem apenas 50 anos de idade.

Estes jovens clamam por uma cidade humanizada, ou melhor, livre da formalidade e parcimônia próprias do conceito de cidade administrativa, cidade para albergar as instâncias do poder, cidade para viver e morrer esmagado pelo cinza dos edifícios oficiais.

Daí a idéia de registrar estes espaços particulares. Esta idéia perambulava faz algum tempo por minha cabeça e meu ânimo. Já inclusive tinha feito algumas toma primárias a cor e em preto e branco. Com isto procurava encontrar o melhor modo de expressar essa Brasilia de becos encantados. A cor se impôs porque percebi que esta era a característica principal daqueles espaços: muita cor natural e outro tanto agregado pela manifestação desarticuladora dos grafiteiros brasilienses.

Brasilia é uma cidade de muito verde. Muito cinza e muito verde. Muito verde em uma competência titânica contra o cinza que se levanta desde suas construções oficiais e impõe seu poder de concreto. Contra isto luta a cidade e suas novas gerações de habitantes.

Sobre o verde atua a chuva e então ressalta aquela cor, mas além inca outros: amarelo e púrpura das frutas, vermelho intenso das flores, azul muito generoso do céu ensolarado. E tudas estas cores são reproduzidas pelos grafiteiros, de forma furtiva, às escondidas nas noites frias, para quebrar a utopia triste da perfeição utilitária.

Devo confessar que demorei um tanto em chegar a estas primeiras imagens. Primeiro porque me dediquei a fazer algumas práticas prévias, como já disse. Segundo, porque não sabia muito bem com qual equipamento trabalhar. Queria trabalhar com uma máquina que não chamasse muito a atenção, mas que tivesse a suficiente qualidade para me brindar imagens generosas.

O de não chamar a atenção vem por duas razões que para mim são sempre importantes: segurança (embora Brasilia é uma cidade bastante segura, nunca deve confiar de tudo) e confortabilidade, tanto para o fotógrafo como para o fotografado. Sabemos que uma máquina de grande porte não só chama a atenção e atrai a curiosidade, mas sim muitas vezes assusta ou transmite uma idéia equivocada.

Então achei a Ricoh GX200. Pesquisei bastante para chegar ao tipo de máquina que queria, e entre diversas opções possíveis, preferi esta compacta desenhada para a área profissional. Confesso que o primeiro que me chamou a atenção foi seu desenho, esse ar retro fascinou a primeira vista, e suas possibilidades ergonômicas me animaram muito mais. Logo a possibilidade de trabalhar em formato raw ou negativo digital.

Certo é que a máquina produz ruído a níveis ISO majores a 400, mas para quem sabe trabalhar com a medição de luz mediante o histograma, o problema se reduz o bastante.

A máquina é simplesmente uma delícia, oferece uma nitidez impressionante e um muito bom registro da cor. Assim com a Ricoh GX200 empreendi esta nova aventura fotográfica.

Vou mover me entre os becos e recantos desta cidade em rebeldia. Vou tentar captar as manifestações coloridas extremas, que começaram a fazer dela um espaço mais real, mais humano, mais vivo.

Vou converter me em um fotógrafo furtivo e cúmplice do grito colorido da cidade, esse que se engendra da garganta de seus becos e recantos para nos maravilhar de vermelhos, azuis, verdes, ocres, lilás, púrpuras, brancos e amarelos.

Podem olhar a série no meu blog http://signusphotosite.com

Comentarios

Esta foto foi comentada 1 vezes

  1. Ana Miguel
    Ana Miguel em 2010-04-04 | denunciar

    excelente este olhar!