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Gentes e Locais/Castelo Bom, Almeida
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Gentes e Locais/Castelo Bom, Almeida
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Castelo Bom, Almeida

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Gentes e Locais

2015-12-18 16:50:34
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Castelo Bom é uma freguesia do concelho de Almeida, no distrito da Guarda. Situa-se na zona raiana da Beira Interior, mais concretamente na sub-região da Beira Interior Norte. Foi vila e sede de concelho durante mais de quinhentos anos.

Actualmente, a freguesia tem 25,04 km² de área e contabiliza 216 habitantes (2011).

A história de Castelo Bom perde-se no tempo. Apesar de, provavelmente, as terras que hoje compõe a freguesia terem já sido ocupadas pelos mesmos hominídeos a cuja autoria pertencem as gravuras de Foz Côa, ou a anta da Malhada Sorda, o primeiro vestígio fitedigno da ocupação humana de Castelo Bom data da Idade do Bronze. A espada de Castelo Bom, encontrada cravada numa rocha, é um dos expoentes máximos da metalurgia do período do Bronze Médio/Final, e prova-nos que, já por esta altura, o Homem se havia estabelecido num castro próximo da aldeia actual. A espada encontra-se exposta no Museu da Guarda. A 600 metros da aldeia, vestígios arqueológicos apontam para a existência de um castro desta época.

Entre os séculos VI a.C. e III a.C., as Terras de Riba-Côa foram ocupadas por povos de origem celta. Os Lusitanos terão registado uma passagem fugaz pela zona, que terá sido povoada pelos Vetões, servindo o rio Côa como fronteira natural entre os dois povos. Já na altura, Castelo Bom era, então, zona raiana, pertencendo ao município vetónico de Mirobriga (actual Ciudad Rodrigo)

Os Romanos enfrentaram sérias dificuldades na conquista desta região. Os Vetões e os Lusitanos, aliados, resistiram ferozmente aos invasores. Assim, apenas em 152 a.C. o município de Mirobriga passou para as mãos dos romanos, sendo integrado na província da Lusitânia.

A decadência do Império Romano levou à invasão de Ribacôa pelos Alanos, no ano 413. O domínio dos Alanos durou pouco, já que foram expulsos pelos Visigodos na segunda metade do século V.

Com a invasão da Península Ibérica pelos Mouros, iniciada em 711, deu-se a fuga das populações cristãs para as Astúrias. As Terras de Ribacôa tornaram-se, assim, despovoadas durante alguns séculos. Na época da reconquista, terão sido disputadas entre cristãos e muçulmanos, mas, devido à forte instabilidade, não era possível um repovoamento.

Apenas no século XI, no ano 1039, a região transcudana passa definitivamente para mãos cristãs, ao ser conquistada por Fernando Magno, rei de Leão e Castela. Aquando da sua morte, em 27 de Dezembro de 1065, as suas possessões são divididas pelos herdeiros, sendo que Castelo Bom passa a integrar o Reino de Leão, governado por Alfonso VI. Neste reinado, o território transcudano terá sido repovoado, primeiro sem sucesso por D. Raimundo, e depois, já no início do século XII, com colonos provenientes de Salamanca, Leão e Galiza. Por esta altura terá sido criado o concelho de Castelo Bom, uma assembleia de habitantes da povoação com autonomia para estabelecer normas gerais e económicas. No reinado de D. Urraca, Castelo Bom começa a ganhar importância, devido à sua posição estratégica na fronteira com o Condado Portucalense. No reinado do seu filho Alfonso VII, terá sido atribuído o primeiro foral a Castelo Bom, e ter-se-à iniciado a construção do castelo que, com a paz assinada entre Fernando II e D. Afonso Henriques, vai prosperando e ganhando população.

Castelo Bom encontrava-se, por esta altura, numa posição difícil: domínio leonês, rodeado por árabes e portugueses. A frágil paz entre os dois reinos cristãos foi facilmente quebrada. Em 1170, D. Afonso Henriques faz uma incursão pelo reino de Leão, conquistando as terras até às portas de Ciudad Rodrigo, mas vê-se obrigado a recuar. Em 1171, o então príncipe D. Sancho conquista Castelo Bom, mas a praça é reconquistada pelos árabes, sendo posteriormente recuperada pelos leoneses. Em 1179, D. Afonso Henriques falha nova tentativa de conquistar a vila. Em 1209, o novo rei de Leão, Alfonso IX, reconhece a importância estratégica da vila de Castelo Bom, atribuindo-lhe novo foral, documento que pode ser encontrado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Fernando III perde Castelo Bom para os árabes. D. Sancho II de Portugal reconquista então Castelo Bom, provavelmente entre 1240 e 1245. Porém, a vila caiu novamente em mãos castelhano-leonesas no nos finais do século XIII, durante o reinado de Alfonso X.

O novo monarca português, apercebendo-se da importância das praças de Ribacôa para a salvaguarda da independência nacional, torna a conquista de Castelo Bom uma das prioridades do seu reinado. Em 1282, D. Dinis casa-se com a Rainha Santa Isabel e recebe, como dote, Castelo Bom e os seus domínios. A 8 de Novembro de 1296, a vila recebe o primeiro foral português. Castelo Bom era então cabeça de um concelho, termo e vigaria, que englobava, para além da vila, os lugares de Vilar Formoso, Freineda, São Pedro de Rio Seco, Naves e Quinta do Abutre (actual Aldeia de S. Sebastião). O monarca manda ainda que todo o castelo seja requalificado. Em 12 de Setembro de 1297, D. Dinis de Portugal, e Fernando IV de Leão e Castela assinam o Tratado de Alcanizes, no qual Castelo Bom assume um papel de destaque, passando definitivamente para as mãos do Reino de Portugal. No seguimento deste tratado, Castelo Bom foi durante algum tempo um dos principais pontos de portagem do Reino na região de Ribacôa. Este clima favorável, associado ao repovoamento ordenado por D. Dinis, fez a vila conhecer um período de prosperidade.

Apesar da definição das fronteiras, o clima na região continuava tenso. Por isso, as obras de reconstrução da Praça de Armas de Castelo Bom não pararam, prolongando-se pelo reinado de D. Fernando, já no século XIV. A cintura muralhada da vila, da qual várias secções são ainda hoje visíveis, era constituída pela cintura principal e por uma barbacã. A entrada principal da povoação era, tal como hoje, a Porta da Vila. O castelo propriamente dito, de planta irregular, era coroado por duas torres menores e a torre de menagem. No interior do castelo, existia um paço central também de formato irregular.
exif / informação técnica
Máquina: NIKON CORPORATION
Modelo: NIKON D3100
Exposição: 1/640 sec
Exposição (EV+/-): -0.3 step
Abertura: f/11
ISO: 200
Dist.Focal: 24mm
Dist.Focal (35mm): 36 mm
Software: Capture NX 2.4.7 W

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Castelo Bom, Almeida
Castelo Bom é uma freguesia do concelho de Almeida, no distrito da Guarda. Situa-se na zona raiana da Beira Interior, mais concretamente na sub-região da Beira Interior Norte. Foi vila e sede de concelho durante mais de quinhentos anos.

Actualmente, a freguesia tem 25,04 km² de área e contabiliza 216 habitantes (2011).

A história de Castelo Bom perde-se no tempo. Apesar de, provavelmente, as terras que hoje compõe a freguesia terem já sido ocupadas pelos mesmos hominídeos a cuja autoria pertencem as gravuras de Foz Côa, ou a anta da Malhada Sorda, o primeiro vestígio fitedigno da ocupação humana de Castelo Bom data da Idade do Bronze. A espada de Castelo Bom, encontrada cravada numa rocha, é um dos expoentes máximos da metalurgia do período do Bronze Médio/Final, e prova-nos que, já por esta altura, o Homem se havia estabelecido num castro próximo da aldeia actual. A espada encontra-se exposta no Museu da Guarda. A 600 metros da aldeia, vestígios arqueológicos apontam para a existência de um castro desta época.

Entre os séculos VI a.C. e III a.C., as Terras de Riba-Côa foram ocupadas por povos de origem celta. Os Lusitanos terão registado uma passagem fugaz pela zona, que terá sido povoada pelos Vetões, servindo o rio Côa como fronteira natural entre os dois povos. Já na altura, Castelo Bom era, então, zona raiana, pertencendo ao município vetónico de Mirobriga (actual Ciudad Rodrigo)

Os Romanos enfrentaram sérias dificuldades na conquista desta região. Os Vetões e os Lusitanos, aliados, resistiram ferozmente aos invasores. Assim, apenas em 152 a.C. o município de Mirobriga passou para as mãos dos romanos, sendo integrado na província da Lusitânia.

A decadência do Império Romano levou à invasão de Ribacôa pelos Alanos, no ano 413. O domínio dos Alanos durou pouco, já que foram expulsos pelos Visigodos na segunda metade do século V.

Com a invasão da Península Ibérica pelos Mouros, iniciada em 711, deu-se a fuga das populações cristãs para as Astúrias. As Terras de Ribacôa tornaram-se, assim, despovoadas durante alguns séculos. Na época da reconquista, terão sido disputadas entre cristãos e muçulmanos, mas, devido à forte instabilidade, não era possível um repovoamento.

Apenas no século XI, no ano 1039, a região transcudana passa definitivamente para mãos cristãs, ao ser conquistada por Fernando Magno, rei de Leão e Castela. Aquando da sua morte, em 27 de Dezembro de 1065, as suas possessões são divididas pelos herdeiros, sendo que Castelo Bom passa a integrar o Reino de Leão, governado por Alfonso VI. Neste reinado, o território transcudano terá sido repovoado, primeiro sem sucesso por D. Raimundo, e depois, já no início do século XII, com colonos provenientes de Salamanca, Leão e Galiza. Por esta altura terá sido criado o concelho de Castelo Bom, uma assembleia de habitantes da povoação com autonomia para estabelecer normas gerais e económicas. No reinado de D. Urraca, Castelo Bom começa a ganhar importância, devido à sua posição estratégica na fronteira com o Condado Portucalense. No reinado do seu filho Alfonso VII, terá sido atribuído o primeiro foral a Castelo Bom, e ter-se-à iniciado a construção do castelo que, com a paz assinada entre Fernando II e D. Afonso Henriques, vai prosperando e ganhando população.

Castelo Bom encontrava-se, por esta altura, numa posição difícil: domínio leonês, rodeado por árabes e portugueses. A frágil paz entre os dois reinos cristãos foi facilmente quebrada. Em 1170, D. Afonso Henriques faz uma incursão pelo reino de Leão, conquistando as terras até às portas de Ciudad Rodrigo, mas vê-se obrigado a recuar. Em 1171, o então príncipe D. Sancho conquista Castelo Bom, mas a praça é reconquistada pelos árabes, sendo posteriormente recuperada pelos leoneses. Em 1179, D. Afonso Henriques falha nova tentativa de conquistar a vila. Em 1209, o novo rei de Leão, Alfonso IX, reconhece a importância estratégica da vila de Castelo Bom, atribuindo-lhe novo foral, documento que pode ser encontrado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Fernando III perde Castelo Bom para os árabes. D. Sancho II de Portugal reconquista então Castelo Bom, provavelmente entre 1240 e 1245. Porém, a vila caiu novamente em mãos castelhano-leonesas no nos finais do século XIII, durante o reinado de Alfonso X.

O novo monarca português, apercebendo-se da importância das praças de Ribacôa para a salvaguarda da independência nacional, torna a conquista de Castelo Bom uma das prioridades do seu reinado. Em 1282, D. Dinis casa-se com a Rainha Santa Isabel e recebe, como dote, Castelo Bom e os seus domínios. A 8 de Novembro de 1296, a vila recebe o primeiro foral português. Castelo Bom era então cabeça de um concelho, termo e vigaria, que englobava, para além da vila, os lugares de Vilar Formoso, Freineda, São Pedro de Rio Seco, Naves e Quinta do Abutre (actual Aldeia de S. Sebastião). O monarca manda ainda que todo o castelo seja requalificado. Em 12 de Setembro de 1297, D. Dinis de Portugal, e Fernando IV de Leão e Castela assinam o Tratado de Alcanizes, no qual Castelo Bom assume um papel de destaque, passando definitivamente para as mãos do Reino de Portugal. No seguimento deste tratado, Castelo Bom foi durante algum tempo um dos principais pontos de portagem do Reino na região de Ribacôa. Este clima favorável, associado ao repovoamento ordenado por D. Dinis, fez a vila conhecer um período de prosperidade.

Apesar da definição das fronteiras, o clima na região continuava tenso. Por isso, as obras de reconstrução da Praça de Armas de Castelo Bom não pararam, prolongando-se pelo reinado de D. Fernando, já no século XIV. A cintura muralhada da vila, da qual várias secções são ainda hoje visíveis, era constituída pela cintura principal e por uma barbacã. A entrada principal da povoação era, tal como hoje, a Porta da Vila. O castelo propriamente dito, de planta irregular, era coroado por duas torres menores e a torre de menagem. No interior do castelo, existia um paço central também de formato irregular.
Tag’s: Castelo Bom,Almeida,Portugal
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Máquina: NIKON CORPORATION
Modelo: NIKON D3100
Exposição: 1/640 sec
Exposição (EV+/-): -0.3 step
Abertura: f/11
ISO: 200
Dist.Focal: 24mm
Dist.Focal (35mm): 36 mm
Software: Capture NX 2.4.7 W