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Gentes e Locais/Desculpai-me Não Ser Bem Eu
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Desculpai-me Não Ser Bem Eu

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Gentes e Locais

2017-06-14 22:33:51
comentários (54) galardões descrição exif favorita de (111)
descrição
A Velhice Pede Desculpas

Tão velho estou como árvore no inverno,
vulcão sufocado, pássaro sonolento.
Tão velho estou, de pálpebras baixas,
acostumado apenas ao som das músicas,
à forma das letras.

Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético
dos provisórios dias do mundo:
Mas há um sol eterno, eterno e brando
e uma voz que não me canso, muito longe, de ouvir.

Desculpai-me esta face, que se fez resignada:
já não é a minha, mas a do tempo,
com seus muitos episódios.

Desculpai-me não ser bem eu:
mas um fantasma de tudo.
Recebereis em mim muitos mil anos, é certo,
com suas sombras, porém, suas intermináveis sombras.

Desculpai-me viver ainda:
que os destroços, mesmo os da maior glória,
são na verdade só destroços, destroços.

Cecília Meireles, in 'Poemas (1958)'

Um homem muito idoso a descer a Calçada da Bica com imensa dificuldade. Só tirei esta e outra foto. Depois olhei-o nos olhos e não tive coragem de tirar mais nenhuma. Tal era a sua dignidade a descer sozinho, teimando em lutar contra a idade e o tempo.
Chamem-lhe empatia, pudor ou respeito pela privacidade, mas sinto-me bem por não ter tirado mais nenhuma.
Público esta fotografia como forma de homenagem. Pela resiliência de um ser humano que não se deixa vergar pelas limitações da idade provocadas no seu corpo.

Lisboa, 13 de junho de 2017

exif / informação técnica
Máquina: NIKON
Modelo: COOLPIX L31
Exposição: 1/200 sec
Exposição (EV+/-): 0 step
Abertura: f/4.2
ISO: 80
Dist.Focal: 7.9mm
Dist.Focal (35mm): 44 mm
Software: Microsoft Windows Photo Viewer 6.1.7600.16385

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Desculpai-me Não Ser Bem Eu
A Velhice Pede Desculpas

Tão velho estou como árvore no inverno,
vulcão sufocado, pássaro sonolento.
Tão velho estou, de pálpebras baixas,
acostumado apenas ao som das músicas,
à forma das letras.

Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético
dos provisórios dias do mundo:
Mas há um sol eterno, eterno e brando
e uma voz que não me canso, muito longe, de ouvir.

Desculpai-me esta face, que se fez resignada:
já não é a minha, mas a do tempo,
com seus muitos episódios.

Desculpai-me não ser bem eu:
mas um fantasma de tudo.
Recebereis em mim muitos mil anos, é certo,
com suas sombras, porém, suas intermináveis sombras.

Desculpai-me viver ainda:
que os destroços, mesmo os da maior glória,
são na verdade só destroços, destroços.

Cecília Meireles, in 'Poemas (1958)'

Um homem muito idoso a descer a Calçada da Bica com imensa dificuldade. Só tirei esta e outra foto. Depois olhei-o nos olhos e não tive coragem de tirar mais nenhuma. Tal era a sua dignidade a descer sozinho, teimando em lutar contra a idade e o tempo.
Chamem-lhe empatia, pudor ou respeito pela privacidade, mas sinto-me bem por não ter tirado mais nenhuma.
Público esta fotografia como forma de homenagem. Pela resiliência de um ser humano que não se deixa vergar pelas limitações da idade provocadas no seu corpo.

Lisboa, 13 de junho de 2017

Tag’s: Desculpai-me Não Ser Bem Eu,A Velhice Pede Desculpas,Cecília Meireles,Poemas,Calçada da Bica
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Máquina: NIKON
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Dist.Focal (35mm): 44 mm
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