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Outros/E o tempo assistia.
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E o tempo assistia.

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Outros

2011-12-12 18:16:20
comentários (24) galardões descrição exif favorita de (22)
descrição
Nasceu enrugado e encolhido o ensinaram a obedecer.
Disseram-lhe coisas das apólices, estimularam-lhe o aforro e mais, que um olhar plano e cuidadoso o desviaria das crateras em ferida. O tempo assistia.
Cresceu curvo na gravidade de um nariz a pingar chão, amadureceu com as roupas, pardas e deformadas da malfadada posição. O tempo assistia.
Negou riscos, leu livros banais, ingeriu produtos normalizados, assistiu aos velórios das noites. Consumia o vício dos discos sem barulho, à volta dos quais dançava descalço. E o tempo assistia.
Deram-lhe um freio que sempre lhe feriu os cantos da boca, foi adorno de uma coleira bicuda, dura como as opiniões gratuítas e o julgar na catapulta cuspida dos dentes dos outros. Foi um bicho-de-conta, enrolado ao tempo que, cúmplice, assistia.
Um dia, daqueles que fez parte do seu tempo, enrolado tropeçou. Caiu de costas, a nuca nas bostas do azar e, lá no centro do infortúnio, uma pedra nascida há milhões de tempos atrás. O mesmo que, teimoso, assistia e mais não fazia.
Morreu esticado, finalmente. Prostrado num mar vermelho sem dor. O seu último olhar foi o primeiro a nascer para cima. E nele, maravilhado moribundo, descobriu a alegria dos dias sem tecto e ainda o deslumbre da cor.
Envergonhado por não ter mãos de amparo, uma testemunha a seu lado.
O tempo, que dele desistia.
exif / informação técnica
Máquina: Canon
Modelo: Canon EOS 450D
Exposição: 1/320
Abertura: f/8
ISO: 200
MeteringMode: Pattern
Flash: Não
Dist.Focal: 200 mm

favorita de 22
galardões
  • galardão popular
    foto
    popular
E o tempo assistia.
Nasceu enrugado e encolhido o ensinaram a obedecer.
Disseram-lhe coisas das apólices, estimularam-lhe o aforro e mais, que um olhar plano e cuidadoso o desviaria das crateras em ferida. O tempo assistia.
Cresceu curvo na gravidade de um nariz a pingar chão, amadureceu com as roupas, pardas e deformadas da malfadada posição. O tempo assistia.
Negou riscos, leu livros banais, ingeriu produtos normalizados, assistiu aos velórios das noites. Consumia o vício dos discos sem barulho, à volta dos quais dançava descalço. E o tempo assistia.
Deram-lhe um freio que sempre lhe feriu os cantos da boca, foi adorno de uma coleira bicuda, dura como as opiniões gratuítas e o julgar na catapulta cuspida dos dentes dos outros. Foi um bicho-de-conta, enrolado ao tempo que, cúmplice, assistia.
Um dia, daqueles que fez parte do seu tempo, enrolado tropeçou. Caiu de costas, a nuca nas bostas do azar e, lá no centro do infortúnio, uma pedra nascida há milhões de tempos atrás. O mesmo que, teimoso, assistia e mais não fazia.
Morreu esticado, finalmente. Prostrado num mar vermelho sem dor. O seu último olhar foi o primeiro a nascer para cima. E nele, maravilhado moribundo, descobriu a alegria dos dias sem tecto e ainda o deslumbre da cor.
Envergonhado por não ter mãos de amparo, uma testemunha a seu lado.
O tempo, que dele desistia.
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Máquina: Canon
Modelo: Canon EOS 450D
Exposição: 1/320
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ISO: 200
MeteringMode: Pattern
Flash: Não
Dist.Focal: 200 mm


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