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As Quatro Estações de Vivaldi (IV – Inverno)

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As Quatro Estações de Vivaldi (IV – Inverno)
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As Quatro Estações de Vivaldi (IV – Inverno)

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Arte Digital

2011-12-19 22:42:36
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VIVALDI

Antonio Vivaldi (Veneza,1678 - Viena,1741) foi um compositor e músico italiano.

A música instrumental do barroco tardio deve a Vivaldi muitos de seus elementos característicos. Os seus concertos foram tomados como modelos por vários compositores, inclusive por Bach.

Era conhecido por “il prete rosso” por ter sido um sacerdote com cabelos ruivos.

Compôs 770 obras, entre as quais 477 concertos e 46 óperas. É sobretudo conhecido como o autor da série de concertos para violino e orquestra “Le quattro stagioni” (As Quatro Estações).



AS QUATRO ESTAÇÕES

As Quatro Estações foram publicadas em Amsterdão em 1725 com mais oito concertos sob o nome Opus 8. Esse conjunto ficou popularmente conhecido por "Il Cimento dell'Armonia e dell'Invenzione", ou "O Contraste entre Harmonia e Invenção" - um testamento do admirável teor de técnica intelectual e fantasia criativa de Vivaldi.



SONETOS

Para melhor entendimento e fruição da obra existem quatro sonetos, um por cada estação, constituindo um importante elemento para alcançar as cenas imaginadas por Vivaldi. A autoria destes sonetos não é confirmada, no entanto o casamento entre poesia e música é tão perfeito que se reforça a presunção de autoria em relação a Vivaldi.



O Inverno



Agitado tremor traz a neve argêntea;

Ao rigoroso expirar do severo vento

Corre-se batendo os pés a todo momento

Bate-se os dentes pelo excessivo frio.



Ficar ao fogo quieto e contente

Enquanto fora a chuva a tudo banha;

Caminhar sobre o gelo com passo lento

Pelo temor de cair neste intento.



Girar forte e escorregar e cair à terra;

De novo ir sobre o gelo e correr com vigor

Sem que ele se rompa ou quebre.



Sentir ao sair pela ferrada porta,

Siroco, Borea e todos os ventos em guerra;

Que este é o Inverno, mas tal, que [só] alegria porta.



BARROCO

Barroco é um estilo artístico que teve origem em Itália a partir das experiências maneiristas de finais do século XVI e rapidamente se expandiu para outros países europeus, atingindo mais tarde as colónias espanholas e portuguesas da América Latina e da Ásia, até meados do século XVIII.

Ao contrário da simplicidade e serenidade do estilo renascentista, o barroco caracterizava-se pelo movimento, pelo dramatismo e pelo exagero.

Enquanto no Renascimento as figuras eram apresentadas de forma estática como que posando para um retrato, no Barroco elas apresentam uma forma teatral, numa busca incessante do movimento e do infinito, enquanto jogos de luz aumentam a dramaticidade das cenas, destacando os elementos mais importantes da obra, os quais formam uma composição em diagonal.

A simetria e o equilíbrio são rompidos na arte barroca, metas tão procuradas durante o Renascimento.

Os temas do Barroco são mitológicos, religiosos e quotidianos onde predomina mais a emoção que a razão: o seu propósito é impressionar os sentidos do observador, baseando-se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio.

O colorido e o contraste de claro-escuro são intensos e expressam de forma peculiar os sentimentos.

A busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas e o entrelaçamento entre a arquitetura e escultura, a tentativa de integração das diferentes disciplinas artísticas são também algumas das suas características.

O recurso favorito dos artistas barrocos para a criação de um espaço dinâmico e profundo foi a utilização de primeiros planos magnificados com objetos aparentemente bem ao alcance do observador, justapostos a outros em dimensões reduzidas num plano de fundo muito recuado.

Também foi comum o uso do escorço pronunciado e de perspectivas multifocais. Segundo Hauser, a tendência barroca de substituir o absoluto pelo relativo, a limitação pela liberdade, é expressa mais nitidamente no uso de formas abertas.

Além disso, na forma clássica a linha reta, o equilíbrio e as coordenadas ortogonais são elementos fortes na articulação da composição, mas no Barroco a preferência passa para as diagonais, a assimetria, as formas curvas e espiraladas, e um desprezo pela orientação provida pelos limites físicos da obra, organizando-se livremente pelo espaço disponível e parecendo poder continuar para além da moldura.



JET METAMORFOSIS



O Inverno – Concerto n.º 4 em Fá Menor

O primeiro movimento corresponde à primeira estrofe. O segundo, bem curto, prende-se apenas aos dois primeiros versos da segunda quadra. Os demais versos estão vinculados ao terceiro, desenvolvendo-se em crescendo cuja interpretação revela algum optimismo. Esse concerto foi concebido para ser interpretado na igreja, portanto toda a orquestra toca em surdina a maior parte do tempo, como a não querer perturbar os fiéis. No Inverno podemos sentir a imagem de alguém tremendo sem parar sobre a neve, castigado pelo severo soprar do vento cortante, a sensação de correr batendo os pés a todo o instante e o bater dos dentes num frio intenso. Em seguida, o aconchego de ficar ao fogo, quieto e satisfeito, enquanto a chuva do lado de fora a tudo banha, pode ser perfeitamente sentido pelo doce e expressivo solo de violino do segundo movimento, e também pelo pizziccatto da orquestra imitando a chuva. O terceiro movimento sugere o caminhar sobre o gelo, a passos lentos, com medo de cair, o caminhar com mais decisão e cair sobre a terra, novamente, ir sobre o gelo e correr forte, sem que o gelo se rompa. Ao final podemos sentir, apesar do frio, dos ventos e da neve, uma alegria talvez fatal.

São enormes os contrastes da música de Vivaldi, não só no conjunto das Quatro Estações, mas também cada estação em si própria, aliás característica do próprio Barroco. Variações climáticas súbitas, alegria e tragédia extremas e conviventes, vida e morte num doce hino à Imortalidade…

Interpretar as suas emoções com um programa dotado de discurso próprio é um desafio consciente da responsabilidade de tal, utilizando-se os recursos disponíveis para recriar uma obra de arte de qualidade, e já por si tão difundida e explorada.



NOTAS FINAIS

Comemorando mais uma época Natalícia gostaria de deixar um extracto do texto “Revolução da Bondade”, da autoria de José Saramago e publicado na " Folha de S. Paulo” em Outubro de 1995:

“Acho que a grande revolução, e o livro «Ensaio sobre a Cegueira» fala disso, seria a revolução da bondade. Se nós, de um dia para o outro, nos descobríssemos bons, os problemas do mundo estariam resolvidos. Claro que isso nem é uma utopia, é um disparate. Mas a consciência de que isso não acontecerá, não nos deve impedir, cada um consigo mesmo, de fazer tudo o que pode para reger-se por princípios éticos. Pelo menos a sua passagem pelo este mundo não terá sido inútil e, mesmo que não seja extremamente útil, não terá sido perniciosa. Quando nós olhamos para o estado em que o mundo se encontra, damo-nos conta de que há milhares e milhares de seres humanos que fizeram da sua vida uma sistemática acção perniciosa contra o resto da humanidade. Nem é preciso dar-lhes nomes. “



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Desejo a toda esta comunidade do Olhares um Feliz Natal e um Próspero Ano de 2012!!!
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VIVALDI

Antonio Vivaldi (Veneza,1678 - Viena,1741) foi um compositor e músico italiano.

A música instrumental do barroco tardio deve a Vivaldi muitos de seus elementos característicos. Os seus concertos foram tomados como modelos por vários compositores, inclusive por Bach.

Era conhecido por “il prete rosso” por ter sido um sacerdote com cabelos ruivos.

Compôs 770 obras, entre as quais 477 concertos e 46 óperas. É sobretudo conhecido como o autor da série de concertos para violino e orquestra “Le quattro stagioni” (As Quatro Estações).



AS QUATRO ESTAÇÕES

As Quatro Estações foram publicadas em Amsterdão em 1725 com mais oito concertos sob o nome Opus 8. Esse conjunto ficou popularmente conhecido por "Il Cimento dell'Armonia e dell'Invenzione", ou "O Contraste entre Harmonia e Invenção" - um testamento do admirável teor de técnica intelectual e fantasia criativa de Vivaldi.



SONETOS

Para melhor entendimento e fruição da obra existem quatro sonetos, um por cada estação, constituindo um importante elemento para alcançar as cenas imaginadas por Vivaldi. A autoria destes sonetos não é confirmada, no entanto o casamento entre poesia e música é tão perfeito que se reforça a presunção de autoria em relação a Vivaldi.



O Inverno



Agitado tremor traz a neve argêntea;

Ao rigoroso expirar do severo vento

Corre-se batendo os pés a todo momento

Bate-se os dentes pelo excessivo frio.



Ficar ao fogo quieto e contente

Enquanto fora a chuva a tudo banha;

Caminhar sobre o gelo com passo lento

Pelo temor de cair neste intento.



Girar forte e escorregar e cair à terra;

De novo ir sobre o gelo e correr com vigor

Sem que ele se rompa ou quebre.



Sentir ao sair pela ferrada porta,

Siroco, Borea e todos os ventos em guerra;

Que este é o Inverno, mas tal, que [só] alegria porta.



BARROCO

Barroco é um estilo artístico que teve origem em Itália a partir das experiências maneiristas de finais do século XVI e rapidamente se expandiu para outros países europeus, atingindo mais tarde as colónias espanholas e portuguesas da América Latina e da Ásia, até meados do século XVIII.

Ao contrário da simplicidade e serenidade do estilo renascentista, o barroco caracterizava-se pelo movimento, pelo dramatismo e pelo exagero.

Enquanto no Renascimento as figuras eram apresentadas de forma estática como que posando para um retrato, no Barroco elas apresentam uma forma teatral, numa busca incessante do movimento e do infinito, enquanto jogos de luz aumentam a dramaticidade das cenas, destacando os elementos mais importantes da obra, os quais formam uma composição em diagonal.

A simetria e o equilíbrio são rompidos na arte barroca, metas tão procuradas durante o Renascimento.

Os temas do Barroco são mitológicos, religiosos e quotidianos onde predomina mais a emoção que a razão: o seu propósito é impressionar os sentidos do observador, baseando-se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio.

O colorido e o contraste de claro-escuro são intensos e expressam de forma peculiar os sentimentos.

A busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas e o entrelaçamento entre a arquitetura e escultura, a tentativa de integração das diferentes disciplinas artísticas são também algumas das suas características.

O recurso favorito dos artistas barrocos para a criação de um espaço dinâmico e profundo foi a utilização de primeiros planos magnificados com objetos aparentemente bem ao alcance do observador, justapostos a outros em dimensões reduzidas num plano de fundo muito recuado.

Também foi comum o uso do escorço pronunciado e de perspectivas multifocais. Segundo Hauser, a tendência barroca de substituir o absoluto pelo relativo, a limitação pela liberdade, é expressa mais nitidamente no uso de formas abertas.

Além disso, na forma clássica a linha reta, o equilíbrio e as coordenadas ortogonais são elementos fortes na articulação da composição, mas no Barroco a preferência passa para as diagonais, a assimetria, as formas curvas e espiraladas, e um desprezo pela orientação provida pelos limites físicos da obra, organizando-se livremente pelo espaço disponível e parecendo poder continuar para além da moldura.



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O Inverno – Concerto n.º 4 em Fá Menor

O primeiro movimento corresponde à primeira estrofe. O segundo, bem curto, prende-se apenas aos dois primeiros versos da segunda quadra. Os demais versos estão vinculados ao terceiro, desenvolvendo-se em crescendo cuja interpretação revela algum optimismo. Esse concerto foi concebido para ser interpretado na igreja, portanto toda a orquestra toca em surdina a maior parte do tempo, como a não querer perturbar os fiéis. No Inverno podemos sentir a imagem de alguém tremendo sem parar sobre a neve, castigado pelo severo soprar do vento cortante, a sensação de correr batendo os pés a todo o instante e o bater dos dentes num frio intenso. Em seguida, o aconchego de ficar ao fogo, quieto e satisfeito, enquanto a chuva do lado de fora a tudo banha, pode ser perfeitamente sentido pelo doce e expressivo solo de violino do segundo movimento, e também pelo pizziccatto da orquestra imitando a chuva. O terceiro movimento sugere o caminhar sobre o gelo, a passos lentos, com medo de cair, o caminhar com mais decisão e cair sobre a terra, novamente, ir sobre o gelo e correr forte, sem que o gelo se rompa. Ao final podemos sentir, apesar do frio, dos ventos e da neve, uma alegria talvez fatal.

São enormes os contrastes da música de Vivaldi, não só no conjunto das Quatro Estações, mas também cada estação em si própria, aliás característica do próprio Barroco. Variações climáticas súbitas, alegria e tragédia extremas e conviventes, vida e morte num doce hino à Imortalidade…

Interpretar as suas emoções com um programa dotado de discurso próprio é um desafio consciente da responsabilidade de tal, utilizando-se os recursos disponíveis para recriar uma obra de arte de qualidade, e já por si tão difundida e explorada.



NOTAS FINAIS

Comemorando mais uma época Natalícia gostaria de deixar um extracto do texto “Revolução da Bondade”, da autoria de José Saramago e publicado na " Folha de S. Paulo” em Outubro de 1995:

“Acho que a grande revolução, e o livro «Ensaio sobre a Cegueira» fala disso, seria a revolução da bondade. Se nós, de um dia para o outro, nos descobríssemos bons, os problemas do mundo estariam resolvidos. Claro que isso nem é uma utopia, é um disparate. Mas a consciência de que isso não acontecerá, não nos deve impedir, cada um consigo mesmo, de fazer tudo o que pode para reger-se por princípios éticos. Pelo menos a sua passagem pelo este mundo não terá sido inútil e, mesmo que não seja extremamente útil, não terá sido perniciosa. Quando nós olhamos para o estado em que o mundo se encontra, damo-nos conta de que há milhares e milhares de seres humanos que fizeram da sua vida uma sistemática acção perniciosa contra o resto da humanidade. Nem é preciso dar-lhes nomes. “



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