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O carro do padeiro (Ler?!)

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História

2017-08-22 08:37:06
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Ferrari 250 GT SWB Breadvan

Ferrari 250 GT SWB “Breadvan”: quando os italianos fizeram um furgão de corrida

Seu nome completo é Ferrari 250 GT SWB Breadvan. É fácil destrinchar: “Ferrari”, veja só, significa que ela foi feita pela Ferrari. Já “250 GT SWB” é o nome do modelo – que tem um motor V12 com deslocamento de 250 cm³ por cilindro e é um gran turismo. “SWB” vem de short wheelbase, “entre-eixos curto” em português.

E “Breadvan”, apelido dado ao carro pela imprensa automotiva da época, é por causa do formato da traseira, que lembra remete às vans e furgões de entrega de pão que eram comuns na Europa da década de 1950. Mas por quê?
A verdade é que sequer foi a Ferrari que idealizou a “Breadvan”, e sim um cara chamado Giovanni Volpi, dono da equipe de corridas Scuderia Serenissima. Em 1962, Giovanni Volpi havia tentado comprar uma Ferrari 250 GTO para sua equipe, mas teve o pedido recusado.
Havia um bom motivo para isto. No ano anterior, Volpi contratara dois novos funcionários para sua equipe: Giotto Bizzarrini e Carlo Chiti, ambos demitidos da Scuderia Ferrari depois de uma disputa legal com a esposa de Enzo Ferrari. Como contamos neste post, foi um golpe duro para a companhia, que estava no meio do desenvolvimento da Ferrari 250 GTO, sob responsabilidade de Bizzarrini e Chiti.
A Ferrari ainda teve sorte e conseguiu concluir o projeto depois de contratar o engenheiro Mauro Forghieri e do designer Sergio Scaglietti, e a 250 GTO se tornou uma verdadeira lenda do automobilismo, além de um dos carros mais valiosos do planeta décadas depois.
Evidentemente, quando Enzo Ferrari descobriu quem havia contratado seus ex-empregados, fez questão de cancelar a encomenda de Volpi. Em resposta, Volpi pediu a Bizzarrini e Chiti um carro ainda melhor que a 250 GTO, e ambos aceitaram na hora.
Naturalmente, o carro não seria feito do zero: em vez disso, o trio optou por arranjar uma Ferrari 250 GT SWB, fabricada em 1961, para servir como base. A escolha não foi difícil: além de ter entre-eixos mais curto, de 2,4 m em vez dos 2,6 m das outras Ferrari da família, a 250 GT SWB havia sido desenvolvida por ninguém menos que Bizzarrini e Chiti. Eles conheciam cada centímetro do carro.
De qualquer forma, apenas a estrutura básica permaneceu igual à do carro de rua. A carroceria era completamente nova, substituindo a grade dianteira oval e os faróis elevados por uma frente de perfil mais baixo, sem grade (apenas com dois dutos para arrefecer o motor), com perfil de cunha e faróis cobertos por lentes de acrílico. A porção central até lembrava 250 GTO, mas a traseira era algo jamais visto em um carro de corrida até então: em vez de cair suavemente até a traseira, formando uma silhueta de fastback, o teto seguia quase horizontal e a traseira, bem mais alta, trazia um corte abrupto praticamente vertical. O vigia traseiro era uma janela retangular, integrado à tampa do “porta-malas”, e não havia janelas laterais.

Dá para dizer que a 250 GT SWB “Breadvan” era uma shooting brake, com capô longo, traseira curta e perfil de perua. Esteticamente o resultado é charmoso e meio estranho ao mesmo tempo, mas havia uma função: a traseira era do tipo Kamm, ou Kammback, conceito criado em 1936 pelo engenheiro Wunibald Kamm.
Normalmente, se usava a aerodinâmica de gota na carroceria dos carros de corrida – a traseira longa e baixa fazia com que o fluxo de ar fosse mais suave e evitava turbulências. No entanto, Kamm descobriu que, com um corte abrupto na traseira, o ar se comportava mais ou menos da mesma maneira, mesmo sem a carroceria debaixo do fluxo.
Usando o princípio de Kamm, Bizzarrini e Chiti conseguiram criar um carro mais curto que a 250 GTO, e 65 kg mais leve (a GTO pesava 1.000 kg, enquanto a Breadvan tinha 935 kg). E ainda tinha todos os recursos que faziam da 250 GTO um grande carro: cárter seco, motor em uma posição mais baixa e recuada e suspensão preparada. O câmbio tinha quatro marchas em vez de cinco, mas o escalonamento e a aerodinâmica do carro compensavam, em parte, esta desvantagem.
Naturalmente, Enzo Ferrari não ficou nada contente com isto, e exigiu que o carro não usasse o nome e nem os emblemas de sua companhia.
A Breadvan fez sua estreia nas 24 Horas de Le Mans de 1962, com o italiano Carlo Maria Abate e o britânico Colin Davis revezando ao volante. O carro de nº 16 largou lá atrás, mas rapidamente ultrapassou as Ferrari 250 GTO e assumiu a sétima posição… até que uma quebra no eixo cardã a tirou da corrida antes que se completasse quatro horas. Quem venceu foi a Scuderia Ferrari, com uma 330 TRI/LM Spyder seguida de duas 250 GTO.
No total, a GT 250 SWB Breadvan disputou outras cinco corridas na Europa até 1965, quando foi aposentada e usada regularmente como carro de rua. Depois disso, em 1973, passou a ser considerada um carro de corrida histórico e, como tal, participa de eventos especiais até hoje.
Fonte:
www.flatout.com.br/ferrari-250-gt-swb-breadvan-quando-os-italianos-fizeram-um-pao-de-forma-de-corrida/
exif / informação técnica
Máquina: NIKON CORPORATION
Modelo: NIKON D300S
Exposição: 1/1600 sec
Exposição (EV+/-): 0 step
Abertura: f/3.5
ISO: 100
Dist.Focal: 200mm
Dist.Focal (35mm): 300 mm
Software: Elements Organizer 11.0

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Ferrari 250 GT SWB Breadvan

Ferrari 250 GT SWB “Breadvan”: quando os italianos fizeram um furgão de corrida

Seu nome completo é Ferrari 250 GT SWB Breadvan. É fácil destrinchar: “Ferrari”, veja só, significa que ela foi feita pela Ferrari. Já “250 GT SWB” é o nome do modelo – que tem um motor V12 com deslocamento de 250 cm³ por cilindro e é um gran turismo. “SWB” vem de short wheelbase, “entre-eixos curto” em português.

E “Breadvan”, apelido dado ao carro pela imprensa automotiva da época, é por causa do formato da traseira, que lembra remete às vans e furgões de entrega de pão que eram comuns na Europa da década de 1950. Mas por quê?
A verdade é que sequer foi a Ferrari que idealizou a “Breadvan”, e sim um cara chamado Giovanni Volpi, dono da equipe de corridas Scuderia Serenissima. Em 1962, Giovanni Volpi havia tentado comprar uma Ferrari 250 GTO para sua equipe, mas teve o pedido recusado.
Havia um bom motivo para isto. No ano anterior, Volpi contratara dois novos funcionários para sua equipe: Giotto Bizzarrini e Carlo Chiti, ambos demitidos da Scuderia Ferrari depois de uma disputa legal com a esposa de Enzo Ferrari. Como contamos neste post, foi um golpe duro para a companhia, que estava no meio do desenvolvimento da Ferrari 250 GTO, sob responsabilidade de Bizzarrini e Chiti.
A Ferrari ainda teve sorte e conseguiu concluir o projeto depois de contratar o engenheiro Mauro Forghieri e do designer Sergio Scaglietti, e a 250 GTO se tornou uma verdadeira lenda do automobilismo, além de um dos carros mais valiosos do planeta décadas depois.
Evidentemente, quando Enzo Ferrari descobriu quem havia contratado seus ex-empregados, fez questão de cancelar a encomenda de Volpi. Em resposta, Volpi pediu a Bizzarrini e Chiti um carro ainda melhor que a 250 GTO, e ambos aceitaram na hora.
Naturalmente, o carro não seria feito do zero: em vez disso, o trio optou por arranjar uma Ferrari 250 GT SWB, fabricada em 1961, para servir como base. A escolha não foi difícil: além de ter entre-eixos mais curto, de 2,4 m em vez dos 2,6 m das outras Ferrari da família, a 250 GT SWB havia sido desenvolvida por ninguém menos que Bizzarrini e Chiti. Eles conheciam cada centímetro do carro.
De qualquer forma, apenas a estrutura básica permaneceu igual à do carro de rua. A carroceria era completamente nova, substituindo a grade dianteira oval e os faróis elevados por uma frente de perfil mais baixo, sem grade (apenas com dois dutos para arrefecer o motor), com perfil de cunha e faróis cobertos por lentes de acrílico. A porção central até lembrava 250 GTO, mas a traseira era algo jamais visto em um carro de corrida até então: em vez de cair suavemente até a traseira, formando uma silhueta de fastback, o teto seguia quase horizontal e a traseira, bem mais alta, trazia um corte abrupto praticamente vertical. O vigia traseiro era uma janela retangular, integrado à tampa do “porta-malas”, e não havia janelas laterais.

Dá para dizer que a 250 GT SWB “Breadvan” era uma shooting brake, com capô longo, traseira curta e perfil de perua. Esteticamente o resultado é charmoso e meio estranho ao mesmo tempo, mas havia uma função: a traseira era do tipo Kamm, ou Kammback, conceito criado em 1936 pelo engenheiro Wunibald Kamm.
Normalmente, se usava a aerodinâmica de gota na carroceria dos carros de corrida – a traseira longa e baixa fazia com que o fluxo de ar fosse mais suave e evitava turbulências. No entanto, Kamm descobriu que, com um corte abrupto na traseira, o ar se comportava mais ou menos da mesma maneira, mesmo sem a carroceria debaixo do fluxo.
Usando o princípio de Kamm, Bizzarrini e Chiti conseguiram criar um carro mais curto que a 250 GTO, e 65 kg mais leve (a GTO pesava 1.000 kg, enquanto a Breadvan tinha 935 kg). E ainda tinha todos os recursos que faziam da 250 GTO um grande carro: cárter seco, motor em uma posição mais baixa e recuada e suspensão preparada. O câmbio tinha quatro marchas em vez de cinco, mas o escalonamento e a aerodinâmica do carro compensavam, em parte, esta desvantagem.
Naturalmente, Enzo Ferrari não ficou nada contente com isto, e exigiu que o carro não usasse o nome e nem os emblemas de sua companhia.
A Breadvan fez sua estreia nas 24 Horas de Le Mans de 1962, com o italiano Carlo Maria Abate e o britânico Colin Davis revezando ao volante. O carro de nº 16 largou lá atrás, mas rapidamente ultrapassou as Ferrari 250 GTO e assumiu a sétima posição… até que uma quebra no eixo cardã a tirou da corrida antes que se completasse quatro horas. Quem venceu foi a Scuderia Ferrari, com uma 330 TRI/LM Spyder seguida de duas 250 GTO.
No total, a GT 250 SWB Breadvan disputou outras cinco corridas na Europa até 1965, quando foi aposentada e usada regularmente como carro de rua. Depois disso, em 1973, passou a ser considerada um carro de corrida histórico e, como tal, participa de eventos especiais até hoje.
Fonte:
www.flatout.com.br/ferrari-250-gt-swb-breadvan-quando-os-italianos-fizeram-um-pao-de-forma-de-corrida/
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Máquina: NIKON CORPORATION
Modelo: NIKON D300S
Exposição: 1/1600 sec
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Abertura: f/3.5
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Dist.Focal (35mm): 300 mm
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