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António Pascoal

Portalegre,
http://olhares.sapo.pt/pascoall

Apesar de achar que tudo isto não passa de uma pequena feira de vaidades e que eu estou metido nela, deixo estas palavritas sobre o que aqui tenho.


Gostaria que as imagens que faço não fossem lugares-comuns, embora saiba que acabo por cair neles. Mas tenho um certo horror à imagem fácil (a das ruas estreitas, dos reflexos especulares na água, dos arcos, das vendedeiras e dos engraxadores) – ainda que, por vezes, nela resida um olhar mais límpido e menos afectado. Se quisesse classificar a boa fotografia diria que é a que capta certo insólito como se o fotógrafo não estivesse lá. Na realidade, a boa fotografia é a que anula o predador (esse ser com uma arma engatilhada para o clic) e a que transporta o observador, por uma espécie de milagre encantador, para um espaço, um tempo e uma realidade sem o percurso que nos leva até lá. Como se, de repente, estivéssemos ali, onde algo ou alguém se manifesta. Mas talvez eu esteja simplesmente errado.
Ao chegar à OLHARES deparei com fotógrafos de vários estilos, quase todos muito bons, aliás, em vários casos, muito próximo dos grandes. Deparei com uma imensidão muito melhor do que eu. E isso fez-me tornar mais humilde. A eles agradeço.
Também a minha obra é uma fotografia “de rua”, uma “street level”, filiada na tradição citadina de muitos fotógrafos que admiro, como Robert Frank, Kertész, Bresson, Brassai, e alguns portugueses como Victor Palla. Não quero ser apenas um ladrão de imagens, mas alguém que devolve à sociedade aquilo que a humaniza. Não faço grande esforço no meu trabalho, pois as coisas vêm ter comigo, mas, neste género tão fatalmente conotado com a realidade, procuro conduzir o olhar dos outros, tornando a fotografia subjectiva. A boa fotografia tem de ter, quanto a mim, três aspectos: técnica (enquadramento, ocultação, acaso), estética (certa sensação de estranheza ou súbita revelação) e ética (devolução da humanidade ao género humano). Em certa medida, tenho a minha filiação em Louis Faurer. Mas não me obriguem a manipular as imagens: não aceito muito bem as técnicas informáticas. Prefiro radicalmente a fotografia enxuta.



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