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No Olhares desde 03-12-2006

Mauricio Porao

Rio das Ostras,
http://olhares.sapo.pt/Porao

Não tenho argumentos! Nem tento explicar os motivos que me levam a realizar estes ensaios quase sempre pouco assimilados, mal interpretados, com modelos inusitados (as);

A maior parte femininos, com corpos perfeitos; Tão lindas! Outras tantas quase demoníacas (e que se interprete este termo das formas mais variadas possíveis);

De algumas tornei-me amigo, íntimo, cúmplice; Com outras tantas, espero nunca mais "esbarrar" por aí;

Uma paixão maior por tudo aquilo que nem eu mesmo compreendo sobrepuja sentimentos diversos . Tenho minha lista de modelos inesquecíveis pelos mais díspares motivos. E vou carregá-las até o fim desse imenso cartão de memória chamado Vida!

Eterniza-se o momento, a foto, a Arte! É o que vale, o que move, o que não quer se explicar. É justamente o que não tem de ser explicado! Gosta-se ou não...

E estes surtos já duram quase dez anos. Um quarto dessa minha atual existência dedicados a locações decadentes, fazendas que mal se mantêm em pé, apartamentos vazios, casas abandonadas, ruínas bucólicas esquecidas pelo tempo, algumas praias desertas, diversos quartos de espeluncas espalhadas pelo Centro do Rio de Janeiro, de vez em quando São Paulo quando em visita a amigos. No enfoque das composições: Elas, sempre Elas, sublimes, matéria prima, Elas sempre e sempre e sempre...
Uma busca paralela ao convencional, à chatice, ao obrigatório de que ainda sonho me livrar um dia de uma forma ou outra ;

Dizem, os mentirosos, que alguns desses lugares eram (mal?) assombrados. Afirmo que quanto mais assustadoras as " lendas criadas em botecos" , tão mais tranquilos e belos tais locais. Os "fantasminhas" foram tão gentis, nem deram suas caras, nunca. Era a senhorita Arte e ela poderia circular por ali!

Nem mesmo sei o que farei com todas essas fotos. Nunca pensei seriamente sobre isso. Mas é justamente o que não tem importância alguma. A tal da alegria existencial está por vir, devagar, mansinha, delicada, dedicada, feliz, aguardando...

Quer posar pra mim?


Maurício Porão


Na obra de Porão, contagiante, enfumaçada, consumada e consumida em (pouca) luz e paredes descascadas, torneadas em peles sensíveis e outras nem tanto, até embrutecidas, há uma beleza que machuca, perturba, exige um compromisso do fotógrafo- este camarada tão mais um apaixonado sonâmbulo entregue a sua compulsão delirante que um simples clicador desajeitado, é do Maurício Porão que se fala em cada foto, em cada grão de areia que se soma, lapida e desmancha a cada pancada do mar. É, principalmente, o Porão que o Maurício Porão fotografa em cada um de seus ensaios.
Um artista cataclísmico, cataclismático, cata(c)li(c)zador, inventivo, audacioso e real, o Porão, este homem que tão facilmente transita entre as diversas e tão complexas camadas da realidade física, sócio-espirituais, consegue realizar um exercício de estilo semelhante ao mais primoroso delírio febril que um bebê (tão puro, angelical e demoníaco em seu vazio da falta dos pecados) pode ter pela manhã.
E é este exorcismo
este erotismo
este exibicionismo
este estilo
É...este desenho tão belo quanto infame, que se pode vislumbrar em cada nova foto captada de instantes. Assim, tão entregue à beleza quanto à sujeira existencial, Porão enverga em cada fotograma uma incessante busca não apenas pelo belo, mas por um apuro estético particular que vai se revelando, a cada novo ensaio, em cada nova modelo, ou uma das suas velhas musas, estão aí, nas suas fotos, tudo aquilo que ele ama e é apaixonado.
Fica o convite para que se conheça esse mundo soturno, denso e, sem dúvida, incrivelmente belo.

Diego Aguiar Vieira



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