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alfredo viola - amanhã é dia de mercado

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Fotojornalismo

2009-11-04 12:54:21
comentários (85) galardões descrição exif favorita de (41)
descrição

no mês de agosto, no seu blog "marintimidades", a drª ana maria lopes editou uma entrevista feita em 1985 ao "ti manel taínha", da costa nova, sobre a arte do salto.

penso que é interessante continuar esta viagem transcrevendo um trabalho com quase um quarto de século.

(Cont.)

http://marintimidades.blogspot.com/2009/08/o-saltadouro-do-ti-tainha.html

O "saltadouro" do Ti Tainha - IV

Aí, ensarilham-se nas malhas sobrepostas, de onde por mais que esbadanem, não se conseguem esgueirar. E com os esforços que fazem para se libertar, no estertor da morte, ficam cada vez mais emalhadas, ensarilhadas, na rede aérea de três panos.

Depois de dar o tempo suficiente à captura do peixe, o velho pescador, de botas de borracha de cano alto e avental improvisado, começa a alar toda a arte, no sentido exactamente inverso ao da montagem, tendo o cuidado, sobretudo no salto, de unir os dois cabos das tralhas, para não fugir nenhum peixe.

Processo arcaico, imutável, a requerer técnica, jeito e argúcia, que nos dias de hoje só o Ti Manel detém, ainda. Há-de morrer com ele. Santo Deus! Abeira-se da margem para nos deixar e safa a rede, desemalhando o peixe.

A captura não foi brilhante, mas ainda deu para me oferecer dois dos melhores exemplares. Que ia eu fazer às tainhas? Não aprecio o peixe na travessa. Aprecio, sim, entusiasmada, a sua vitalidade, o seu saltear, a sua meia volta no ar quando parece querer despegar e refrescar-se; e depois o cachapuz quando se estatela de encontro à ria, para logo mais adiante ressurgir a esvoaçar, deixando-nos no adivinhar da quantidade de saltos que dá.

O espectáculo que tinha acabado de presenciar prendeu-me os sentidos às belas, raras e inesquecíveis imagens, saciando-me a curiosidade. A idade avançada do pescador e a extravagância da arte fizeram com que me detivesse com tanto pormenor, na sua descrição.
O Ti Manel já não existe e o saltadouro também não. Morreu com ele, na ria da Costa-Nova.

Que se salve a memória… e se transmita de geração em geração. Não é fácil.

(conclusão)

(murtosa- torreira - algures no canal de ovar)
exif / informação técnica
Máquina: NIKON CORPORATION
Modelo: NIKON D80
Exposição: 10/1250
Abertura: f/5.6
ISO: 100
MeteringMode: Center-Weighted Average
Flash: Não
Dist.Focal: 55 mm

favorita de 41
galardões
  • galardão popular
    foto
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alfredo viola - amanhã é dia de mercado

no mês de agosto, no seu blog "marintimidades", a drª ana maria lopes editou uma entrevista feita em 1985 ao "ti manel taínha", da costa nova, sobre a arte do salto.

penso que é interessante continuar esta viagem transcrevendo um trabalho com quase um quarto de século.

(Cont.)

http://marintimidades.blogspot.com/2009/08/o-saltadouro-do-ti-tainha.html

O "saltadouro" do Ti Tainha - IV

Aí, ensarilham-se nas malhas sobrepostas, de onde por mais que esbadanem, não se conseguem esgueirar. E com os esforços que fazem para se libertar, no estertor da morte, ficam cada vez mais emalhadas, ensarilhadas, na rede aérea de três panos.

Depois de dar o tempo suficiente à captura do peixe, o velho pescador, de botas de borracha de cano alto e avental improvisado, começa a alar toda a arte, no sentido exactamente inverso ao da montagem, tendo o cuidado, sobretudo no salto, de unir os dois cabos das tralhas, para não fugir nenhum peixe.

Processo arcaico, imutável, a requerer técnica, jeito e argúcia, que nos dias de hoje só o Ti Manel detém, ainda. Há-de morrer com ele. Santo Deus! Abeira-se da margem para nos deixar e safa a rede, desemalhando o peixe.

A captura não foi brilhante, mas ainda deu para me oferecer dois dos melhores exemplares. Que ia eu fazer às tainhas? Não aprecio o peixe na travessa. Aprecio, sim, entusiasmada, a sua vitalidade, o seu saltear, a sua meia volta no ar quando parece querer despegar e refrescar-se; e depois o cachapuz quando se estatela de encontro à ria, para logo mais adiante ressurgir a esvoaçar, deixando-nos no adivinhar da quantidade de saltos que dá.

O espectáculo que tinha acabado de presenciar prendeu-me os sentidos às belas, raras e inesquecíveis imagens, saciando-me a curiosidade. A idade avançada do pescador e a extravagância da arte fizeram com que me detivesse com tanto pormenor, na sua descrição.
O Ti Manel já não existe e o saltadouro também não. Morreu com ele, na ria da Costa-Nova.

Que se salve a memória… e se transmita de geração em geração. Não é fácil.

(conclusão)

(murtosa- torreira - algures no canal de ovar)
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Máquina: NIKON CORPORATION
Modelo: NIKON D80
Exposição: 10/1250
Abertura: f/5.6
ISO: 100
MeteringMode: Center-Weighted Average
Flash: Não
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