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Alguém disparou primeiro

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Fotojornalismo

2005-08-04 20:55:34
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Alguém disparou primeiro

Eu estava armado e ele também. Estávamos preparados para qualquer disputa.
O ódio entre nós era surdo e antigo, fermentado pelas constantes suspeitas de traição. A discussão teve como ponto de partida uma questão menor, como sempre acontece nestes casos. Primeiro insultámo-nos e depois pegámos nas armas, prontos para disparar. Quem seria o primeiro? Perto de nós ouviu-se uma inesperaa detonação. Era um tiro de pistola. Alguém, por certo, ajustura outras contas, antes de termos tempo de resolver a nossa antiga querela.
Um corpo jazia por terra, sem vida, trespassado por uma única bala certeira. A policia não tardou a comparecer no local. Arrolou-nos como testemunhas, mas a verdade é que nada tinhamos para testemunhar, de tão embrenhados que estávamos na nossa guerra ancestral e sem nome.
Com uma moeda lançada ao ar tirámos à sorte quem havia de falar em nome de ambos. Depois bebemos até de madrugada para aliviarmos a tensão gerada. Há anos que andávamos nisto, errando na noite húmida da cidade. Um de nós havia de ser o primeiro a morrer, como sempre acontece quando há dois irmãos.

José Jorge Letria
Histórias do fundo da noite
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Eu estava armado e ele também. Estávamos preparados para qualquer disputa.
O ódio entre nós era surdo e antigo, fermentado pelas constantes suspeitas de traição. A discussão teve como ponto de partida uma questão menor, como sempre acontece nestes casos. Primeiro insultámo-nos e depois pegámos nas armas, prontos para disparar. Quem seria o primeiro? Perto de nós ouviu-se uma inesperaa detonação. Era um tiro de pistola. Alguém, por certo, ajustura outras contas, antes de termos tempo de resolver a nossa antiga querela.
Um corpo jazia por terra, sem vida, trespassado por uma única bala certeira. A policia não tardou a comparecer no local. Arrolou-nos como testemunhas, mas a verdade é que nada tinhamos para testemunhar, de tão embrenhados que estávamos na nossa guerra ancestral e sem nome.
Com uma moeda lançada ao ar tirámos à sorte quem havia de falar em nome de ambos. Depois bebemos até de madrugada para aliviarmos a tensão gerada. Há anos que andávamos nisto, errando na noite húmida da cidade. Um de nós havia de ser o primeiro a morrer, como sempre acontece quando há dois irmãos.

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