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Como se muda um destino

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Fotojornalismo

2005-08-12 02:11:38
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Como se muda um destino

O primeiro livro de poemas de Anastácio Antunes, um ultra-romântico convicto, foi liminarmente ignorado pela crítica. O segundo foi destroçado por essa mesma crítica e, em particular, por um crítico que Anastácio Antunes se habituara a ler e a admirar. Chorou, primeiro de decepção e depois de revolta. Com que direito alguém em quem confiava o tratava assim sem sequer o conhecer pessoalmente? Ferido pela injustiça, decidiu agir.

Usando um nome falso, convidou o crítico para jantar, apresentando-se como jovem editor em busca de um competente director literário para a sua casa. Durante o jantar não poupou elogios ao seu trabalho, reiterando a admiração que tinha por ele desde que começara a ler suplementos literários. De certo modo, o crítico era responsável pela sua decisão de, fazendo uso de uma pequena herança familiar, se lançar no complexo e arriscado negócio da edição.

Correram-lhe sentidas lágrimas de comoção no momento em que o apunhalou, num beco obscuro, nas traseiras do restaurante afamado.

A sua admiração por ele era genuína e sincera. Só lamentava que as coisas tivessem evoluído no sentido errado.

Hoje, editor de sucesso, continua a dizer que o fundo vermelho das capas dos livros que edita o remetem para uma recordação longínqua, que não consegue identificar, mas que, por certo, alguma afinidade terá com o mundo da literatura. Também o corta-papéis de cabo de marfim e lâmina afiada não pode dizer-se que seja totalmente estranho.

José Jorge Letria
Histórias do fundo da noite
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Como se muda um destino

O primeiro livro de poemas de Anastácio Antunes, um ultra-romântico convicto, foi liminarmente ignorado pela crítica. O segundo foi destroçado por essa mesma crítica e, em particular, por um crítico que Anastácio Antunes se habituara a ler e a admirar. Chorou, primeiro de decepção e depois de revolta. Com que direito alguém em quem confiava o tratava assim sem sequer o conhecer pessoalmente? Ferido pela injustiça, decidiu agir.

Usando um nome falso, convidou o crítico para jantar, apresentando-se como jovem editor em busca de um competente director literário para a sua casa. Durante o jantar não poupou elogios ao seu trabalho, reiterando a admiração que tinha por ele desde que começara a ler suplementos literários. De certo modo, o crítico era responsável pela sua decisão de, fazendo uso de uma pequena herança familiar, se lançar no complexo e arriscado negócio da edição.

Correram-lhe sentidas lágrimas de comoção no momento em que o apunhalou, num beco obscuro, nas traseiras do restaurante afamado.

A sua admiração por ele era genuína e sincera. Só lamentava que as coisas tivessem evoluído no sentido errado.

Hoje, editor de sucesso, continua a dizer que o fundo vermelho das capas dos livros que edita o remetem para uma recordação longínqua, que não consegue identificar, mas que, por certo, alguma afinidade terá com o mundo da literatura. Também o corta-papéis de cabo de marfim e lâmina afiada não pode dizer-se que seja totalmente estranho.

José Jorge Letria
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