descrição
Dizem que um dia amou muito, amou talvez demasiado e hoje é apenas um buraco no peito de onde saem aves que já não sabem voar.
– Nada é definitivo! – mentiam-lhe ao ouvido fingindo o verão da pele e os frutos a amadurecer fora da estação, e ele fingia acreditar para logo desaparecer.
Deixou de escrever e os fins de tarde tornaram-se na sua derradeira companhia, conhece a solidão, os primeiros traços de velhice e descrê, já, que o dia lhe seja limpo. Se lhe falam dos sonhos, nada diz, mas pensa, pensa e sabe que são como cometas: voam até ao fim do corpo onde em tempos reconheceu asas e colinas de fogo para no instante seguinte se despedaçarem num chão a que a morte deu cinicamente o nome de amor.
Dizem que um dia...