descrição
Falo-te de casas-casas.
Falo-te das casas que são pedra e terra
E sangue; falo-te das casas que são bocas
Amantes dos azuis luzentes, do sumo
Das laranjas astrais, dos voos apolíneos
E musicais; falo-te das casas, cujo hálito
São ervas verdes olorosas, corolas
De vermelhos líquidos e quentes; falo-te
Das casas que são carícias de areias
E de brisas de pinhos marítimos; falo-te
Das casas que são conchas com bichos
Dentro e cantatas de águas e espumas
Brancas, se balanceando, como folhas de álamos.
Falo-te, em suma, das casas-casas.
Falo-te das casas, onde não me coube,
Onde nunca me coube o ser-me
Respiração dentro.
Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições