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Ricardo Ramos
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Fotojornalismo/Rei do Gado
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Fotojornalismo/Rei do Gado
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descrição
Abandono o alcatrão e sigo por um estradão, que vai dar ao alto da serra. A suspensão da mota lá se vai aguentando. Tento fazer ziguezagues por entre o terreno acidentado para a poupar.

Alguns quilómetros adiante os cães em fúria tentam-te me assustar. Começo a sorrir, as cabras e o pastor devem andar perto.
Ouvem-se os badalos e cresce a intensidade do vento a puxar chuva. A humidade entranha o cheiro dos animais. Abordo o primeiro pastor.

Um jovem rapaz, que se recusa aparecer nas fotografias. Diz que têm vergonha, rindo-se enquanto olha para o telemóvel equipado com fones de ouvido. Mas indica-me outro pastor que deve andar para lá daquele monte. Foi então que encontro sr. Manuel, mostrou-se acolhedor e começa-me a falar de tudo e mais alguma coisa, sinto que a conversa poderia durar horas.

A cabra consegue ser mais resistente e acomodatícia, do que a ovelha, não necessita propriamente de boas pastagens, precisa é de monte, e de um pastor com pernas para as acompanhar. Têm 63 anos, começou a ser pastor com 8 anos, já chegou a ter a 130 cabras, mas como a idade já pesa um “cibito” de momento só têm 30.
As estações exigem ritmos diferentes. Nesta altura de Inverno não acorda tão cedo, mas é capaz de fazer uns 10 a 15km diários, subindo e descendo os trilhos da serra.

Nos montes já se vê pouca gente. E quando os vê é sempre em bons carros, alguns nem as boas horas dizem.
È uma vida f**ida. A solidão não me assusta. Já fui habituado nisto toda a vida. Diz que cada vez há menos rebanhos. Naquela serra já chegaram andar 16, agora 2 ou 3 e cada vez mais pequenos com menos gado.

- O pessoal novo, não sente afinidade por isto, e também é preciso saber andar com elas.
Tira da sacola um naco de pão e atrai uma das cabras mostrando-me ao pormenor a boa forma do animal.

- Mas você tira fotos para que jornal ?
- São para mim, sou freelancer.
- “freee… quê?? Sorri e dá uma gargalhada de seguida.
As cabritas já vão longe, assobia-lhe para que abrandem.
- Bote lá com Deus, que daqui a nada é noite.
Despeço-me com um aperto de mão, sentindo no tacto toda a mão calejada pelo cajado.
Até breve sr. Manuel.
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Rei do Gado
Abandono o alcatrão e sigo por um estradão, que vai dar ao alto da serra. A suspensão da mota lá se vai aguentando. Tento fazer ziguezagues por entre o terreno acidentado para a poupar.

Alguns quilómetros adiante os cães em fúria tentam-te me assustar. Começo a sorrir, as cabras e o pastor devem andar perto.
Ouvem-se os badalos e cresce a intensidade do vento a puxar chuva. A humidade entranha o cheiro dos animais. Abordo o primeiro pastor.

Um jovem rapaz, que se recusa aparecer nas fotografias. Diz que têm vergonha, rindo-se enquanto olha para o telemóvel equipado com fones de ouvido. Mas indica-me outro pastor que deve andar para lá daquele monte. Foi então que encontro sr. Manuel, mostrou-se acolhedor e começa-me a falar de tudo e mais alguma coisa, sinto que a conversa poderia durar horas.

A cabra consegue ser mais resistente e acomodatícia, do que a ovelha, não necessita propriamente de boas pastagens, precisa é de monte, e de um pastor com pernas para as acompanhar. Têm 63 anos, começou a ser pastor com 8 anos, já chegou a ter a 130 cabras, mas como a idade já pesa um “cibito” de momento só têm 30.
As estações exigem ritmos diferentes. Nesta altura de Inverno não acorda tão cedo, mas é capaz de fazer uns 10 a 15km diários, subindo e descendo os trilhos da serra.

Nos montes já se vê pouca gente. E quando os vê é sempre em bons carros, alguns nem as boas horas dizem.
È uma vida f**ida. A solidão não me assusta. Já fui habituado nisto toda a vida. Diz que cada vez há menos rebanhos. Naquela serra já chegaram andar 16, agora 2 ou 3 e cada vez mais pequenos com menos gado.

- O pessoal novo, não sente afinidade por isto, e também é preciso saber andar com elas.
Tira da sacola um naco de pão e atrai uma das cabras mostrando-me ao pormenor a boa forma do animal.

- Mas você tira fotos para que jornal ?
- São para mim, sou freelancer.
- “freee… quê?? Sorri e dá uma gargalhada de seguida.
As cabritas já vão longe, assobia-lhe para que abrandem.
- Bote lá com Deus, que daqui a nada é noite.
Despeço-me com um aperto de mão, sentindo no tacto toda a mão calejada pelo cajado.
Até breve sr. Manuel.
Tag’s: gado,cabras,ovelhas,tras os montes,preto e branco,fotografia,jornalismo
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