foto user
Breno Fortuna
menu-mobile
Olhares
menu-mobile-right
Carregar
Gentes e Locais/Viagens 8 - Castelo do Alandroal
fullscreen voltar lista nav-leftnav-right
Gentes e Locais/Viagens 8 - Castelo do Alandroal
voltar lista nav-leftnav-right

Viagens 8 - Castelo do Alandroal

fotografias > 

Gentes e Locais

2015-03-14 18:41:29
comentários (82) galardões descrição exif favorita de (92)
descrição
3º lugar no Desafio Flinpo 237: Monumento histórico
De 2015-04-19 a 2015-04-26
Fotografias que retratem um monumento histórico.
http://www.flinpo.net/Desafios/historico.php?id=237


O castelo gótico do Alandroal é uma das melhor datadas obras de arquitectura militar do período dionisino, graças a duas inscrições, comemorativas do arranque e da conclusão dos trabalhos de construção. A primeira data de 6 de Fevereiro de 1294 (BARROCA, 2000, vol. 2, t.1, pp.1108-1113) e encontra-se sobre uma das portas da fortaleza. Por ela sabemos que o promotor do projecto foi o Mestre da Ordem de Avis, D. João Afonso, que colocou a primeira pedra nessa data. A segunda corresponde ao dia 24 de Fevereiro de 1298, sendo mestre da Ordem D. Lourenço Afonso, e localiza-se no alçado ocidental da Torre de Menagem (actualmente integrado na Sala do Tesouro da igreja matriz) (IDEM, pp.1140-1144). No espaço de apenas quatro anos, procedeu-se, assim, à edificação do conjunto fortificado, informação que é preciosa para a caracterização da arquitectura militar ao tempo de D. Dinis, mas também para o reconhecimento do grande investimento que a Ordem de Avis efectuou, por esses anos, em castelos no Alentejo, de que são também exemplo os de Noudar e Veiros.
Mas esta fortaleza é ainda importante sob outros aspectos, nomeadamente quanto à identidade e formação cultural do seu arquitecto. Uma terceira inscrição, datada criticamente entre 1294 e 1298 (localizada no torreão direito da porta do castelo) refere expressamente o nome do responsável pela condução dos trabalhos, um homem oriundo da comunidade muçulmana e auto-intitulado "Eu, Mouro Galvo" (IDEM, pp.1114-1118). Este letreiro tem sido considerado uma das mais importantes marcas mudéjares no nosso país e revela a existência de um albanil islâmico a comandar a edificação de um castelo, num tempo em que os inimigos não eram já, em primeira instância, as forças muçulmanas do Sul da península.
Independentemente do seu arquitecto, o castelo é uma típica fortificação gótica, de planta tendencialmente oval (integrando um pequeno bairro intra-muralhas), com torre de menagem adossada à cerca e porta principal (designada por Porta Legal) harmónica, protegida por duas torres quadrangulares, ligeiramente avançadas para permitir um maior raio de tiro vertical sobre a entrada. A torre de menagem é uma estrutura pesada, de planta quadrangular e de três pisos, cujo acesso ao interior encontra-se, actualmente, entaipado. A ela adossou-se, algum tempo depois, a igreja matriz da localidade e, em 1744, o seu terraço foi aproveitado para implantar uma torre do relógio. Ao castelo associava-se a cerca da vila, cujo urbanismo é muito simples, com uma única via (Rua do Castelo) no sentido O. - E., flanqueada por duas portas, a Legal e a do Arrabalde, cujo pé-direito contém a "vara", célebre medida padrão seguida nas trocas comerciais.
À parte esta padronização estrutural (certamente orientada pela Ordem de Avis), o arquitecto deixou algumas marcas da sua formação cultural, de que se destaca a lápide com o seu nome. Uma outra é a janela de arco em ferradura localizada numa das torres e outros aspectos podem ainda atribuir-se a este mudéjar, assim se faça um estudo rigoroso e monográfico do castelo, como as pretensas semelhanças entre o sistema de torres entre esta fortificação e as muralhas almorávidas de Sevilha, sugeridas por Fernando Branco CORREIA, 1995-97, p.127.
Não parece que Alandroal desempenhasse um papel de grande relevância na organização das linhas militares da região, pois cedo se iniciou a sua decadência. Em 1606, grande parte das construções no interior da cerca encontravam-se já arruinadas e, no século XVIII, o recinto foi objecto de algumas transformações importantes, como a destruição da barbacã para se edificarem os novos paços do concelho e a construção da cadeia comarcã no interior das muralhas. Só na década de 40 do século XX se procedeu a obras de restauro, que incidiram preferencialmente na reconstrução de alguns troços e na desobstrução da estrutura de numerosas casas que, ao longo dos séculos, se haviam adossado às muralhas.
PAF

fonte: http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70281/
exif / informação técnica
Máquina: Canon
Modelo: Canon EOS 1100D
Exposição: 1/250 sec
Exposição (EV+/-): 0 step
Abertura: f/13
ISO: 100
Dist.Focal: 18mm
Dist.Focal (35mm):
Software: Adobe Photoshop CC (Windows)

favorita de 92
galardões
  • galardão popular
    foto
    popular
Viagens 8 - Castelo do Alandroal
3º lugar no Desafio Flinpo 237: Monumento histórico
De 2015-04-19 a 2015-04-26
Fotografias que retratem um monumento histórico.
http://www.flinpo.net/Desafios/historico.php?id=237


O castelo gótico do Alandroal é uma das melhor datadas obras de arquitectura militar do período dionisino, graças a duas inscrições, comemorativas do arranque e da conclusão dos trabalhos de construção. A primeira data de 6 de Fevereiro de 1294 (BARROCA, 2000, vol. 2, t.1, pp.1108-1113) e encontra-se sobre uma das portas da fortaleza. Por ela sabemos que o promotor do projecto foi o Mestre da Ordem de Avis, D. João Afonso, que colocou a primeira pedra nessa data. A segunda corresponde ao dia 24 de Fevereiro de 1298, sendo mestre da Ordem D. Lourenço Afonso, e localiza-se no alçado ocidental da Torre de Menagem (actualmente integrado na Sala do Tesouro da igreja matriz) (IDEM, pp.1140-1144). No espaço de apenas quatro anos, procedeu-se, assim, à edificação do conjunto fortificado, informação que é preciosa para a caracterização da arquitectura militar ao tempo de D. Dinis, mas também para o reconhecimento do grande investimento que a Ordem de Avis efectuou, por esses anos, em castelos no Alentejo, de que são também exemplo os de Noudar e Veiros.
Mas esta fortaleza é ainda importante sob outros aspectos, nomeadamente quanto à identidade e formação cultural do seu arquitecto. Uma terceira inscrição, datada criticamente entre 1294 e 1298 (localizada no torreão direito da porta do castelo) refere expressamente o nome do responsável pela condução dos trabalhos, um homem oriundo da comunidade muçulmana e auto-intitulado "Eu, Mouro Galvo" (IDEM, pp.1114-1118). Este letreiro tem sido considerado uma das mais importantes marcas mudéjares no nosso país e revela a existência de um albanil islâmico a comandar a edificação de um castelo, num tempo em que os inimigos não eram já, em primeira instância, as forças muçulmanas do Sul da península.
Independentemente do seu arquitecto, o castelo é uma típica fortificação gótica, de planta tendencialmente oval (integrando um pequeno bairro intra-muralhas), com torre de menagem adossada à cerca e porta principal (designada por Porta Legal) harmónica, protegida por duas torres quadrangulares, ligeiramente avançadas para permitir um maior raio de tiro vertical sobre a entrada. A torre de menagem é uma estrutura pesada, de planta quadrangular e de três pisos, cujo acesso ao interior encontra-se, actualmente, entaipado. A ela adossou-se, algum tempo depois, a igreja matriz da localidade e, em 1744, o seu terraço foi aproveitado para implantar uma torre do relógio. Ao castelo associava-se a cerca da vila, cujo urbanismo é muito simples, com uma única via (Rua do Castelo) no sentido O. - E., flanqueada por duas portas, a Legal e a do Arrabalde, cujo pé-direito contém a "vara", célebre medida padrão seguida nas trocas comerciais.
À parte esta padronização estrutural (certamente orientada pela Ordem de Avis), o arquitecto deixou algumas marcas da sua formação cultural, de que se destaca a lápide com o seu nome. Uma outra é a janela de arco em ferradura localizada numa das torres e outros aspectos podem ainda atribuir-se a este mudéjar, assim se faça um estudo rigoroso e monográfico do castelo, como as pretensas semelhanças entre o sistema de torres entre esta fortificação e as muralhas almorávidas de Sevilha, sugeridas por Fernando Branco CORREIA, 1995-97, p.127.
Não parece que Alandroal desempenhasse um papel de grande relevância na organização das linhas militares da região, pois cedo se iniciou a sua decadência. Em 1606, grande parte das construções no interior da cerca encontravam-se já arruinadas e, no século XVIII, o recinto foi objecto de algumas transformações importantes, como a destruição da barbacã para se edificarem os novos paços do concelho e a construção da cadeia comarcã no interior das muralhas. Só na década de 40 do século XX se procedeu a obras de restauro, que incidiram preferencialmente na reconstrução de alguns troços e na desobstrução da estrutura de numerosas casas que, ao longo dos séculos, se haviam adossado às muralhas.
PAF

fonte: http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70281/
Tag’s: alandroal,castelo,évora,património
comentários
galardões
  • galardão popular
    foto
    popular

Máquina: Canon
Modelo: Canon EOS 1100D
Exposição: 1/250 sec
Exposição (EV+/-): 0 step
Abertura: f/13
ISO: 100
Dist.Focal: 18mm
Dist.Focal (35mm):
Software: Adobe Photoshop CC (Windows)


favorita de (92)